A TIMIDEZ DE ZOE
O corredor da recepção do Grupo Salvattore Technologies estava mergulhado naquele vai e vem de final de expediente da manhã, quebrado apenas pelo som rítmico de um esfregão contra o mármore.
Henry Salvattore, ou melhor, "Lucca", empurrava o carrinho de limpeza com uma naturalidade que beirava o insulto à sua verdadeira posição como CEO daquela potência tecnológica. O uniforme azul-marinho e o boné levemente abaixado eram seu escudo perfeito.
Ele dobrou o corredor e quase colidiu com um carrinho de café.
— Oh! Mil perdões, eu não vi voc...
Zoe estancou o passo, o coração dando um salto no peito ao reconhecer o par de olhos intensos sob a aba do boné.
— Lucca? É você!
Henry parou, apoiando as mãos enluvadas no cabo do esfregão. Um meio sorriso surgiu em seus lábios, aquela diversão silenciosa que ele só sentia quando estava "fora" de seu escritório no último andar.
— Bom dia, senhorita. Sem problemas, a culpa foi do faxineiro aqui distraído, não sua.
Zoe apertou as mãos contra o avental, a memória do dia que o conheceu voltando como uma onda de calor. Ela o vira sofrer um pequeno acidente com seu esbarrão com café quente e, em um impulso de bondade, o levara até a copa para cuidar da pele irritada.
— Eu... eu...eu queria saber..
Ela começou, baixando a voz como se guardassem um segredo de estado.
__Como está a vermelhidão no seu peitoral? Melhorou?
Henry sentiu um lampejo de surpresa, seguido por uma onda de calor que nada tinha a ver com irritação. Ele se lembrou da delicadeza dos dedos dela espalhando o creme sobre sua pele, um toque que nenhum "Lucca" deveria receber de uma funcionária, mas que o Henry real não conseguia esquecer.
— Nossa, está muito melhor!

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