Valério ajustou a gravata com a falsa modéstia de quem acabou de salvar o mundo ou pelo menos o próprio ego. Ao avistar o grupo de rostos conhecidos reunido perto da bandeja de canapés, ele abriu um sorriso provocativo e caminhou na direção deles. Parou a poucos passos de Vittoria, cruzou os braços e soltou:
— Ora, ora... Vejam só se não é a saracura que resolveu dar o ar da sua graça.
A reação foi instantânea. O rosto de Vittoria passou do tom pálido do vestido para um vermelho acesso de pura raiva.
— Você é inacreditável, Valério!
Respondeu ela, fechando as mãos em punho.
— Meu nome é Vittoria. V-i-t-t-o-r-i-a! Mas você insiste nesse apelido ridículo de quando eu usava aparelho e era magrela. Vê se cresce! Eu tenho 23 anos, sou uma mulher formada, e não aquela menininha de 12 anos que você adorava irritar!
Ao redor, o grupo apenas assistia de camarote. Nicola cobria a boca com a taça de Whisky para disfarçar o riso. Como primo de Valério, ele sabia muito bem que o interesse favorito dele era simplesmente ver a fumaça sair pelos ouvidos de Vittoria.
— Valério, você sumiu durante o desfile inteiro e me aparece só agora, bem na hora do coquetel? E a sua primeira atitude é provocar irmã do Enzo?
Valério fez uma expressão de injustiçado que não convenceu ninguém:
— Nicola, por favor. Eu estava trabalhando. Responsabilidades de um homem de negócios.
Nicola deu um passo à frente e apontou para a gola do terno do primo com a ponta dos dedos:
— Claro, um trabalho árduo. Dápra ver pelo seu colarinho, que está praticamente infestado por uma paleta inteira de batons e um perfume feminino que dá para cheirar a três metros de distância.
Vittoria soltou um estalo com a língua e revirou os olhos com tanta força que quase viu o próprio cérebro.
— Típico desse idiota!
Desdenhou ela, cruzando os braços.
— Não pode ver um r@bo de saia que esquece como se comporta em sociedade.

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