Juliana estava tão distraída relembrando os tempos de adolescência que só percebeu a presença dele quando uma sombra imponente se projetou sobre os dois.
— Posso saber o que minha namorada tem de tão fascinante para conversar com o garçom?
A voz de Nicola veio gélida, cortando o ar como uma lâmina.
— E por que, exatamente, vocês estavam se abraçando como dois velhos amantes em um filme melodramático?
Riccardo deu um passo atrás, visivelmente desconfortável, mas manteve a postura profissional:
— Senhor, me desculpe. A Juliana é uma velha amiga que eu não via há muitos anos.
Juliana, sentindo o sangue subir diante da arrogância desnecessária do chefe-namorado-falso, cruzou os braços e encarou Nicola com o olhar mais provocativo que conseguiu reunir:
— Nicola, este é o Riccardo Di Capri. Nós fomos namorados no passado e hoje somos ótimos amigos. E sim, reencontrar um amigo querido em meio a um evento tão... metido me deixou genuinamente feliz.
Nicola nem sequer olhou nos olhos de Riccardo. Lançou-lhe apenas um olhar de puro desdém aristocrático e, sem pedir licença ou aviso prévio, puxou Juliana pela cintura para junto do seu corpo com uma possessividade quase teatral.
— O passado da Juliana não me interessa em nada. Na verdade, é completamente insignificante.
Disse ele, encarando o rapaz por cima do nariz.
— O que importa é que agora ela é minha namorada.
Riccardo engoliu em seco, claramente decidindo que não recebia o suficiente por hora para disputar territorialidade com um bilionário possessivo.
— Com licença, então. Bom te ver, Ju.

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