O ENCONTRO NA COPA
O relógio de parede marcava exatamente 15:00. O silêncio da Copa era quebrado apenas pelo zumbido suave da geladeira industrial e pelo tique-taque rítmico dos segundos. Zoe, aproveitando seu momento de descanso, estava encostada no balcão. De repente, a porta se abriu.
Não era suas colegas de trabalho. Era Lucca, ou melhor, Henry, perfeitamente camuflado sob o uniforme azul de faxineiro, segurando um esfregão como se fosse um acessório de cena.
Zoe deu um sobressalto, mas o susto durou apenas um milésimo de segundo. Assim que seus olhos encontraram os dele, um brilho de pura alegria iluminou seu rosto.
— Lucca!
Ela exclamou, com a voz baixinha, mas carregada de entusiasmo.
Henry apoiou o esfregão na parede com uma naturalidade praticada e abriu um sorriso que, para Zoe, parecia desarmar todo o esquema de segurança do prédio.
— Eu disse que vinha, não disse? Vim cobrar uma promessa. Estou aqui para provar o melhor chocolate quente que me prometeram. Minhas expectativas estão altíssimas.
A copa estava deserta. Naquele horário, Antonella, Juliana e Gioconda estavam em uma reunião armada por Henry, ele não queria platéia.
— Pois você chegou no momento certo.
Zoe disse, gesticulando para a banqueta alta do balcão.
— Senta aí. Vou preparar o "melhor chocolate quente do mundo", mas aviso logo: depois disso, nenhum outro chocolate vai servir para você.
Henry obedeceu, acomodando-se na banqueta. Ele apoiou os cotovelos no balcão, observando cada movimento de Zoe.
Enquanto o leite começava a aquecer, Zoe pegou uma barra de chocolate meio amargo de sua reserva pessoal e começou a picá-lo com precisão. O aroma subiu conforme o vapor do leite ganhava força.
Henry não desviava os olhos dela. Sob o disfarce de Lucca, ele se sentia estranhamente livre para admirá-la sem as amarras da sua verdadeira identidade.
Zoe mexia a mistura com uma colher de pau, uma pequena mecha de cabelo caindo sobre o rosto. Ela parecia estar criando uma poção mágica, e Henry, o observador silencioso, sabia que, naquele momento, o chocolate era apenas o pretexto para o que realmente importava.
O vapor do chocolate quente subia suavemente, Henry observava o movimento enquanto segurava a caneca de cerâmica que a jovem à sua frente acabara de servir.
Henry deu o primeiro gole. Seus olhos se arregalaram. A textura era aveludada, com um toque de especiarias que ele não conseguia identificar, mas que aquecia até a alma.
— Meu Deus, Zoe... isso está divino!
Exclamou ele.
— Eu juro, nunca tomei nada igual a esse chocolate quente.
Zoe abriu um sorriso radiante, as bochechas corando levemente pelo elogio inesperado do colega de trabalho.
— É uma receita de família.
Ela respondeu, orgulhosa.
— Fico feliz que tenha gostado, Lucca.
Henry pousou a caneca na bancada e a encarou com uma intensidade que não condizia com o disfarce de faxineiro. Seus olhos buscavam algo mais profundo.
— Diga-me uma coisa, Zoe... Você é feliz trabalhando aqui? Na Salvattore?
Zoe suspirou, olhando para o crachá pendurado no balcão.
— Sou, sim. A empresa é incrível. Mas, para ser sincera, meu plano não é ficar na copa para sempre. Eu tenho o sonho de crescer aqui dentro assim que concluir minha faculdade de Economia e Gestão Empresarial.

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