Os dias que sucederam o súbito e inexplicável distanciamento de Nicola Moretti não trouxeram apenas distância; trouxeram um silêncio espesso, pesado, daqueles que antecedem as tempestades mais devastadoras. Do outro lado da linha, em quarto impecável, Caterina Visconti sentia a fúria e a humilhação queimarem a cada chamada sumariamente rejeitada. Caterina não era uma mulher moldada para o papel de espectadora. Ela não pedia atenção; exigia. A frieza repentina de Nicola não era apenas uma falha de comunicação, mas uma afronta direta ao seu orgulho. Algo grave e imperdoável estava acontecendo nas sombras.
Quando a tela do celular piscou pela décima vez naquela tarde cinzenta, o peso esmagador da culpa finalmente dobrou a espinha de Nicola. Ele encarou o nome Caterina brilhando em letras garrafais no visor, sentindo o peito contrair em um espasmo quase físico. O remorso o corroía como ácido desde a noite em que cruzara a linha com sua funcionária — a mulher contratada para ser uma mera noiva de fachada por doze meses, mas que acabara por desmantelar, peça por peça, todas as suas certezas.
Sem forças para sustentar o jogo de esquivas, ele cedeu e atendeu. A voz de Caterina veio afiada como lâmina, embargada pelo choro de quem se recusa a perder o controle:
— Nicola... você não me ama mais? O que foi que eu fiz de errado para você me tratar como uma estranha?
Pressionado contra o próprio abismo, Nicola fraquejou na mentira:
— Claro que eu te amo, Cate... Pelo amor de Deus, não pense isso. Eu só... precisava esfriar a cabeça. Estou atolado em problemas e não queria arrastar você para essa confusão.
— Me afastando, Nicola? É assim que você me protege?
A voz dela quebrou em um soluço sufocado.
Incapaz de suportar o sofrimento na voz da loira, ele cedeu ao inevitável e concordou em encontrá-la naquela mesma noite.

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