O PLANO EM AÇÃO
O sol da manhã entrava pelas janelas do andar da presidência da Salvattore, mas o clima dentro da presidência era de pura conspiração. Henry, o homem cujos ternos sob medida custavam o preço de um carro popular, agora encarava o espelho vestindo um brim azul-marinho.
Henry ajeitou o colarinho do uniforme de limpeza. No peito, o crachá genérico exibia em letras garrafais o nome: LUCCA MARTINI.
— O que acha, Antônio?
Henry perguntou, tentando adotar uma postura menos rígida.
_Pareço alguém que sabe usar um esfregão ou alguém prestes a comprar a fábrica de sabão?
Antônio Tommaso, seu assistente pessoal, não conseguiu conter o riso.
— Senhor Salvattore... perdão, "Lucca"... se o senhor mantiver essa coluna tão reta, vão achar que contratamos um oficial da Marinha para encerar o piso. Relaxe os ombros.
— Ele tem razão, Sr. Henry!
Interveio Gioconda, a chefe da copa, que observava a cena com as mãos nos quadris.
— E tire esse relógio de ouro. Funcionário recém-contratado da limpeza não usa um Patek Philippe.
Henry suspirou e entregou o relógio a Antônio.
Gioconda apontou para o canto da sala, onde um carrinho de limpeza completo aguardava. Tudo era impecavelmente novo: baldes, luvas de borracha amarelas, panos de microfibra e produtos multiuso.
— Aqui está o seu "escritório"!
Disse ela, entregando-lhe as luvas.
— O carrinho está abastecido. Se alguém perguntar, você começou hoje e eu estou te orientando sobre onde fica o depósito de insumos.
— É perfeito...
Murmurou Henry.
— Ninguém olha nos olhos do pessoal da limpeza. É o disfarce ideal para ouvir o que realmente pensam sobre a nova gestão.
Antônio levantou-se, recuperando a compostura profissional, embora o sorriso ainda estivesse lá.
— Vou manter sua agenda desimpedida pelas próximas três horas, Lucca. Direi que o Sr. Salvattore está em uma conferência virtual sigilosa com investidores de Tóquio.
Gioconda abriu a porta lateral da presidência, que dava acesso ao corredor de serviço. Ela fez um gesto para que Henry a seguisse.
— Vamos logo, Lucca. O setor de Logística não vai se limpar sozinho.
Henry segurou a alça do carrinho. O metal frio e o cheiro de desinfetante de limão eram estranhamente revigorantes. Ele sorriu para Antônio uma última vez antes de sair.

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