O FAXINEIRO GATO
O clima na copa da Salvattore estava morno, com o cheiro de café recém-passado pairando no ar, até que Juliana atravessou a porta. Ela não apenas entrou; ela flutuou. Suas bochechas estavam coradas e o olhar parecia fixo em um horizonte que só ela enxergava.
Juliana soltou um suspiro audível, apoiando as mãos no balcão.
___"Meninas... eu acabei de ver o homem mais lindo que já pisou nesta empresa. Não, no mundo!"
Gioconda, encostada no canto com sua caneca, apenas a observou em um silêncio avaliador, arqueando uma sobrancelha. Já Antonella, que não resistia a uma novidade, inclinou-se para frente com os olhos brilhando de curiosidade.
— Desembucha, Ju! Quem é esse deus grego?
Instigou Antonella.
— O nome dele é Lucca. É o novo contratado da equipe de limpeza, ele é o homem mais lindo que já vi na vida meninas. É a cara do ator Henry Caviil.
Juliana respondeu, e seus olhos brilharam de uma forma quase mística.
— Foi amor à primeira vista. Ele tem um olhar que parece que o tempo para, sabe? É uma aura... diferente, aquilo não é um homem, é um deus grego.
Antonella cruzou os braços e soltou uma risadinha cética, tentando trazer a amiga de volta à terra.
— Ah, Juliana, mude o disco! Henry Cavill? Toda semana você está apaixonada por alguém. Você nem conhece o cara, não sabe nada sobre a vida dele. Com certeza deve ser casado. Já reparou? Todo homem bonito ou é comprometido ou tem algum problema escondido. Eu desconfio de homens bonitos.
Sem vacilar um segundo, Juliana rebateu com convicção:
— Ele não é casado. Eu sinto isso. Tem uma leveza nele que homem preso em casamento chato não tem.
Zoe, que até então apenas assistia à cena, resolveu intervir com seu pragmatismo habitual.
— Juliana, a Antonella tem razão dessa vez. Não crie expectativas onde não existe nada. E, sinceramente? Para de buscar relacionamentos em cada esquina. Foca no trabalho, garota. O momento não está para romance.
Antes que a discussão prosseguisse, a voz firme de Gioconda cortou o ar como uma lâmina.
— Já chega. Parem de fofocar sobre a vida alheia e voltem ao trabalho. A Salvattore não paga a gente para catalogar a beleza dos funcionários da limpeza.

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