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O CEO Italiano e a Brasileira romance Capítulo 86

KAREN JÁ É DE CASA

Com o passar dos dias, a atmosfera na mansão Salvattore nunca esteve tão carregada, mas, para quem observava de fora, tudo parecia a mais pura celebração de "uma grande amizade".

Valentina e Lorenzo haviam transformado a presença de Karen em uma cláusula obrigatória na rotina da família. Não importava o dia ou a ocasião: se era uma ocasião comum, lá estava o convite para o chá da tarde; se era sábado ou domingo, o lugar de Karen à mesa no almoço já estava posto antes mesmo do sol subir. E praticamente todos os dias, Karen estava presente nos jantares na mansão.

A mansão, que antes era o refúgio de Henry e Zoe, tornou-se o cenário de um evento social interminável. Karen não era mais apenas uma parceira de negócios; ela era a convidada de honra perpétua de Lorenzo e a protegida inseparável de Valentina.

Jantares durante a semana: Discussões sobre os Grupos Taylor e Salvattore que se estendiam até tarde.

Finais de semana: Almoços prolongados onde a presença de Karen parecia sufocar o ambiente.

Os encontros "casuais" arquitetados por Valentina eram para manter Karen por perto.

Zoe, no entanto, não era boba. Ela possuía aquela intuição afiada que nenhuma polidez forçada conseguia enganar. Enquanto Lorenzo e Valentina desfilavam elogios à competência de Karen, Zoe observava os detalhes que ninguém mais ousava mencionar.

Ela notava como o olhar de Karen se transformava ao repousar sobre Henry, não era admiração profissional, era o brilho inconfundível de quem nutria uma paixão. Mais do que isso, Zoe sentia o nervosismo de Henry. O marido, geralmente implacável e seguro, parecia caminhar sobre ovos toda vez que a fragrância de Karen invadia a sala.

A desaprovação de Henry era nítida. Ele tentava, através de silêncios cortantes e saídas precoces da mesa, demonstrar seu descontentamento, mas Lorenzo e Valentina agiam como se fossem imunes aos seus protestos. Para eles, a fusão entre a Salvattore e o Grupo Taylor exigia essa proximidade quase simbiótica.

_"Karen já é de casa,"

Lorenzo costumava dizer, sem notar, ou fingindo não notar, que cada convite era uma adaga no conforto do casamento do neto.

Zoe permanecia elegante, mantendo o sorriso de anfitriã, mas por dentro o diagnóstico estava feito: Karen não estava ali apenas pelos negócios. Ela estava ali para retomar um espaço que acreditava ser seu.

A noite na mansão Salvattore, Zoe mantinha os olhos fixos em seu prato, mas seus sentidos estavam aguçados. Ela sentia o perfume floral invasivo de Karen, sentada convenientemente à frente de Henry, e percebia como Valentina e Lorenzo sorriam para a "convidada" com uma benevolência que nunca dedicaram a ela.

Lorenzo limpou os lábios com o guardanapo de linho, seus olhos gélidos percorrendo a mesa até pousarem em Karen.

— Sabe, Karen querida...

Começou o patriarca, com aquela voz aveludada que carregava o peso de gerações de arrogância.

—, sua presença traz uma luz que esta casa raramente vê. Às vezes me pego pensando que, se você tivesse aparecido antes na vida do meu neto...

Henry travou a mandíbula, os nós dos dedos brancos de tanto apertar o garfo. Ele sabia o que vinha a seguir.

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