O NOVO APARTAMENTO DE ZOE
O sol do fim de tarde em Milão entrava pelas grandes janelas de vidro, banhando o piso de mármore claro com um tom dourado. O novo apartamento, situado em um dos bairros mais exclusivos da cidade, cheirava a flores frescas e café recém-passado, um contraste bem-vindo ao cheiro de poder e tradições sufocantes da mansão Salvattore.
Zoe caminhou até a varanda, observando o movimento elegante da rua abaixo. Ela respirou fundo, sentindo o ar leve pela primeira vez em anos.
— Finalmente...
Zoe suspirou, virando-se para a mãe. Seus olhos percorreram a sala decorada impecavelmente, onde cada porta-retrato e cada almofada tinham sido escolhidos por elas.
— Agora eu sei o que é ter liberdade em casa, mamãe. Não preciso mais pedir permissão para existir ou sentir que estou pisando em ovos no corredor.
Laura, que ajeitava um arranjo de orquídeas sobre a mesa de centro, sorriu com uma doçura que há muito não demonstrava. O peso que carregava nos ombros parecia ter evaporado.
— Enfim você será feliz, minha filha. Longe daquelas cobras. Naquela mansão, até as paredes pareciam nos julgar.
Laura aproximou-se da filha, segurando suas mãos. O tom de voz, porém, tornou-se mais sério, carregado de uma urgência materna.
— Mas Zoe, você precisa agilizar esse divórcio. Henry é imprevisível. Logo ele descobre nosso endereço e aparece aqui com aquela cara de arrependido, tentando reatar o casamento.
Zoe soltou uma risada curta e amarga, balançando a cabeça.
— Ele? Vir atrás de mim? Acho que não mamãe.
Zoe deu de ombros, caminhando até o bar de cristal.

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