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O Chefe Zilionário é meu Marido Secreto! romance Capítulo 3

CRISTINA SANTIAGO

Aquela cena no bar parecia ter saído de um roteiro de novela mexicana. Eu, ali, pronta para perder a cabeça, quando Beatriz, minha própria irmã, mostrava suas garras diante de todos.

E, então, como se fosse o herói inesperado de um filme, aquele homem surgiu e me protegeu.

A raiva de Beatriz quase engasgava no ar, mas ela não teve coragem de peitar alguém que era dois palmos mais alto que seu amigo. Ainda assim, não perdeu a chance de despejar seu veneno.

— Aproveita bem essa companhia, Cristina, porque depois do divórcio não vai sobrar nada pra você. Nem nome, nem casa, nem dignidade. Você vai continuar sendo uma vergonha para nossa família.

— Essa aí é uma puta que traiu o marido na cara de todo mundo — Sua voz estava alta o suficiente para todo mundo ouvir. — E agora vem pra uma festa como essa, se fazendo de vítima, só pra tentar pescar outro homem ingênuo que caia na lábia dela.

Meus olhos ardiam, mas ela não parou. Virou-se para o desconhecido ao meu lado e completou:

— Cuidado com quem você defende, porque essa mulher não vale nem o que o gato enterra.

Então lançou-me um olhar de ódio e foi embora, puxando consigo seu capanga como uma criança mimada que perde o brinquedo.

Meu coração estava acelerado, minhas mãos ainda tremiam e, por um segundo, achei que desabaria.

— Você está bem? Cristina? — perguntou, a voz grave, que de alguma forma também era reconfortante.

Assenti, mas meus olhos ardiam.

— Vem, vamos tomar uma bebida e você me conta o que estava acontecendo aqui.

Aceitei. Não porque eu quisesse afogar as mágoas no álcool, embora precisasse. Mas também precisava de alguém que não me olhasse como a culpada da noite.

Sentamos em um canto mais reservado do bar. O desconhecido pediu duas doses de uísque sem sequer me perguntar. “Homem de atitude”, pensei, e confesso que isso me arrancou um meio sorriso. Quando o copo encostou nos meus lábios, desabei. Contei tudo. Sobre Heitor, sobre Beatriz, sobre como fui humilhada em público sem chance de defesa.

Ele me ouviu em silêncio, com os olhos fixos em mim, como se eu fosse a única pessoa no bar. E, quando terminei, ele soltou as palavras:

— É por isso que eu não acredito no amor.

A frase me pegou de surpresa. Ri de nervoso, mas acabei concordando.

— Depois de tudo isso, nem eu. E se um dia acreditar de novo, me internem. Eu, Cristina Santiago, casar de novo? Nunca.

Ele ergueu o copo, fez um brinde tocando meu copo com o seu.

— Ao “nunca mais”.

— Nunca mais.

A sensação de injustiça latejava em mim. Fui acusada de trair sem nunca ter traído. Expulsa da minha própria vida sem culpa. “Quer saber?”, pensei. Talvez estivesse na hora de ser a culpada de verdade. Talvez fosse hora de dar ao Heitor exatamente o que ele me acusou de fazer. Uma traição, mas de verdade, deliciosa e sem arrependimento.

Sim. Eu deveria transar com outro homem antes de assinar o divórcio.

Olhei para o desconhecido que ainda não me dissera seu nome. Ele não era um homem qualquer. Era intensidade pura, misterioso e arrebatadoramente bonito. O homem na minha frente parecia a descrição viva do meu tipo: Alto, cabelo preto, olhos castanhos, musculoso, rosto perfeito, barba aparada e um sorriso capaz de molhar a calcinha de qualquer mulher. Incluindo eu.

E, naquele instante, ele parecia ser a tempestade que eu precisava para varrer os destroços da minha vida.

— Quer ir para um lugar mais reservado? — Perguntei antes que a coragem se esvaisse.

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