ETHAN PETTERSON
O amor nunca significou nada para mim.
Na verdade, era curioso ver como tantas pessoas romantizam a palavra, como se fosse a chave para alcançar felicidade. Quando não passa de uma ilusão que só atrapalha o indivíduo de alcançar objetivos maiores.
Eu sou o CEO da Petterson Construtora, herdeiro de um império de concreto erguido por três gerações. E, como todo herdeiro, eu vivo sob pressão. Conselho, acionistas, família… todos exigem algo.
A exigência da vez era para me casar.
Meu pai nunca se cansava de repetir: “Um homem sozinho não inspira confiança. Um CEO precisa de imagem, estabilidade e família.”
Casamento parecia algo lógico, estratégico e inevitável. Por isso eu não discuti. Apenas aceitei Miranda, a noiva arranjada que me apresentaram. É filha de um velho sócio do meu pai, bonita, educada, elegante… perfeita para desempenhar o papel de esposa modelo.
Não precisaria sentir nada por ela e não cobraríamos nada um do outro.
Naquela manhã, entrei no cartório para oficializar esse casamento com a mesma disposição com que entro em uma reunião: Não era divertido, mas era obrigatório. Eu só queria que o relógio corresse. Assinar os papéis, dar uma coletiva se fosse necessário, dependendo dos planos das nossas famílias, e voltar para minha rotina de trabalho.
Enquanto esperava, mexi no celular para adiantar alguns e-mails. Estava concentrado nisso quando a tela acendeu com a chamada de Miranda.
— Miranda? — atendi, sem mostrar que estava irritado com seu atraso. — Está chegando?
Do outro lado, ouvi um choro nervoso, misturado com respiração ofegante.
— Ethan, eu… eu não posso.
Em poucos minutos essa garota já fez duas coisas que odeio: Se atrasar e falar pela metade.
— Não pode o quê? Vá direto ao ponto, por gentileza.
— Eu não vou aparecer. Não quero esse casamento. Nunca quis. Estou sendo obrigada, mas não consigo mais. Eu amo outra pessoa e estou fugindo agora.
Só pode ser brincadeira...
Fiz silêncio por alguns segundos. Não foi raiva o que senti. Não foi choque, nem decepção. Foi… nada. Só um cálculo rápido na mente sobre os problemas que essa pirralha mimada estava me causando.
— Miranda… Você tem ideia do que está fazendo?
— Sim. Pela primeira vez, tenho. — Ela fungou. — Eu sinto muito, de verdade. Mas eu não posso ser sua esposa.
E a ligação caiu.
Guardei o celular no bolso e suspirei pensando no tempo que eu perderia para conhecer outra candidata da minha família e foi exatamente nesse momento que eu a vi.
Cristina.
Nosso olhares se encontraram e antes que eu pudesse processar, ela me agarrou pela nuca e me beijou.
— Apenas me siga. — Sussurrou ela.
— Querido… por que demorou tanto? — sussurrou ela, como se fôssemos um casal.
E, como se não bastasse, me puxou até o balcão do cartório e anunciou:
— Olá, eu gostaria de registrar meu casamento.
Levei alguns segundos para analisar a cena e as duas pessoas transtornadas que olhavam para ela com raiva. E sem nenhuma razão, resolvi entrar no jogo.
O funcionário colocou os papéis na frente dela. Cristina assinou com um sorriso triunfante e depois de toda a confusão, aqueles que imagino serem os tais Heitor e Beatriz saíram correndo humilhados.
Cristina se virou para mim, sorrindo vitoriosa.
— Obrigada… por tudo. — Seu olhar suavizou novamente. — Mas, afinal, o que você está fazendo aqui?
— Eu ia casar, mas minha noiva fugiu com outro. — respondi simplesmente.



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