Ponto de Vista da Natalia
No dia seguinte na universidade.
Decido usar hoje um moletom grande demais, que cobre mais da metade do meu rosto para me esconder.
Eu sei que o que fiz ontem foi um pouco exagerado. Quero dizer, Luciano e seus amigos estão sendo tão legais comigo nesses últimos dias, até me ajudam sem saber a superar minha tristeza. Em troca, eu insulto a pessoa mais importante do grupo deles, que eles respeitam muito; praticamente, eu os insultei também.
Entrando pelo portão da universidade, a primeira coisa na qual reparo é como eles estão parados no estacionamento, ao lado de um carro, do tipo Bugatti, vermelho.
Puxo o capuz um pouco mais para baixo, para que meu rosto fique bem coberto. Corro em direção à entrada da universidade, sem afastar o meu olhar do grupo, para fazer uma fuga rápida. No entanto, meu plano, tão genial como sempre, não funciona e, antes que eu possa dar 10 passos, alguém puxa meu capuz para trás.
"Nossa! Olha só para você Natalia. Por que você está sendo tão misteriosa assim?" Rick pergunta, então me arrasta em direção ao grupo, ainda segurando meu capuz.
'Bem, você pode me soltar agora, sabe?' Eu tenho vontade de gritar para ele.
Apesar de eu ser alta; na frente dele, ainda pareço baixinha e, com ele segurando meu capuz desse jeito, parece um adulto repreendendo uma criança enquanto a arrasta.
"Veja quem temos aqui." Rick anuncia para ter a atenção de todos.
Logo, consigo a atenção de todos. Eu me sinto tão feliz com isso. Só que não.
Eu me liberto da mão de Rick, solto meu capuz de seu aperto antes de ajeitar minha postura.
Eu devo pedir desculpas de qualquer maneira. Cometi um erro ontem.
"Olha, pessoal, sobre ontem..." Antes que eu possa terminar minha frase, sinto um perfume intoxicante vir de trás de mim. Minha mente começa a gritar para eu me virar no mesmo instante, e eu obedeço.
"Oi, ah... Natalia, podemos conversar? A sós?" Xavier diz, coçando a cabeça de maneira desajeitada, antes de me dar um sorriso juvenil.
Vou ser honesta, meu coração se derrete ali mesmo naquele segundo.
"Uuuuuuh!" Todos começam a provocá-lo por estar desconfortável.
"Tudo bem." Eu respondo, colocando as mãos nos bolsos antes de sair do estacionamento. Apenas me verifico que Xavier está me seguindo.
Quando estamos longe o suficiente (de acordo com Xavier), na parte de trás da universidade e perto da floresta, eu me viro para ele, com as sobrancelhas arqueadas.
"Então?" Eu pergunto, sem saber como começar a conversa.
Bem, isso é estranho. Ele realmente foi um pouco rude comigo, mas eu acho que gritei dez vezes mais com ele, chamando-o de maluco.
"Hum, eu não sei o que dizer... Só quero pedir desculpas por ontem à noite, na festa, quero dizer. Eu sei que não começamos bem, mas espero que você possa esquecer tudo isso. Talvez possamos começar de novo?" Ele chega perto de mim e segura minhas mãos.
Esse perfume intoxicante que me atraí, enche minhas narinas, deixando-me atordoada de imediato. Eu olho para nossas mãos juntas e gosto da sensação de seus dedos entrelaçadas nos meus.
Aproximando-me dele, eu estou prestes a cheirá-lo quando ouço o barulho de um galho quebrando. É assim que eu me toco do que estou fazendo, a estranheza da situação me atinge como um vento frio.
Arregalo meus olhos diante dessa nova sensação e da nossa proximidade. Afasto rapidamente minhas mãos, antes de colocar alguma distância entre nós. Eu não sei o que é, mas tocar nele, sempre me faz querer mais.
E o que é esse cheiro, que não para de me atrair?
"Eu também quero pedir desculpas. Quer dizer, você realmente foi rude comigo, sem dúvida, mas o que eu disse também foi imperdoável. Eu chamei você de maluco, praticamente o chamei de desocupado, enfim..."
"Tudo bem. Você pode parar. Não queremos lembrar de tudo de novo, não é?" Ele ri, desconfortável.
"Sim, você deve estar certo." Acabo rindo junto ao perceber que quase o insultei novamente quando repeti aquelas palavras.
"Então, podemos ser amigos?" Ele pergunta, estendendo uma mão, com aquele sorriso encantador no rosto.
"Amigos." Digo, sorrindo de volta para ele enquanto controlo minha mente para não vacilar quando sinto aqueles choques prazerosos mais uma vez.
"Vamos lá, não quero perder minha aula." Digo antes de afastar minha mão e correr em frente.


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