Ponto de Vista da Natalia
Corro no máximo de velocidade que eu consigo, alcanço enfim o objetivo que Michelle tinha estabelecido para hoje. Certo, tudo bem, eu trapaceio um pouco ao deslizar pelo gelo que meus poderes formam para mim.
Já faz um mês desde que ela começou a me treinar vigorosamente, para que eu possa me transformar de uma forma menos dolorosa e usar meus poderes de bruxa junto com a Halia.
Agora, vocês devem estar confusos, perguntando-se o que é tudo isso.
Vou explicar. No dia em que me transformo pela primeira vez, quando vejo meu reflexo assustado no lago na floresta.
Quando Xavier me conta sobre a existência de lobisomens e toda aquela coisa de companheiros, eu sinto uma dor excruciante pelo meu corpo, e a voz urgente de Halia ecoa na minha cabeça.
'Eu mandei você sair daqui o mais rápido possível, não mandei? O beijo do nosso companheiro acelerou o processo de transformação em dez vezes e até seus poderes de bruxa vão ter dificuldade para reprimir isso.' Ela diz, andando de um lado para o outro, com um semblante cheio de dor.
Eu não sei do que ela está falando, tudo que eu sei nesse momento é que eu preciso me afastar de Xavier, porque eu não quero que ele me veja assim e fique preocupado com alguma coisa.
Assim que esse pensamento atravessa minha mente, sinto de repente como se fosse empurrada para um poço escuro e, antes que eu perceba, estou deitada em um chão de madeira, de alguma casa.
Quando abro os olhos, com muita dificuldade, e olho em volta, reparo que não é uma casa qualquer. É a casa em que eu morava antes de me mudar para Pearly Canines. É a casa dos meus pais adotivos. Minha casa em Nova York.
"Pensei que teria que ajudá-la a se teletransportar. Quem diria que seus poderes iam se aprimorar com tanta intensidade..." De repente, escuto uma voz atrás de mim.
E eu sei de quem é aquela voz.
Pertence a ninguém menos que a minha avó Michelle.
Eu me viro para encará-la, com os olhos cheios de lágrimas, com alguma esperança de que ela vai ser capaz fazer essa dor parar, já que eu continuo me engasgando com meu sangue.
Contudo, assim que a vovó Michelle começa a andar na minha direção, com as mãos estendidas, grandes pilastras pretas se formam de repente ao meu redor, impedindo-a de se aproximar.
"Natalia, sei que é difícil para você. Mas só você pode fazer isso. Seus poderes não vão deixar que eu a ajude. Você precisa fazer isso sozinha. Seus poderes estão ficando muito agitados com você chorando assim. Primeiro, tente controlar suas emoções." Ela afirma, lançando-me um olhar compreensivo.
'Que mulher louca! A velhice tomou conta do seu cérebro? Meus caninos estão se alongando, meus ossos parecem que estão quebrando, meus músculos parecem estar sendo rasgados, e você quer que eu sorria? Você tem certeza de que quer me ajudar?' Eu quero gritar com ela, enquanto mais lágrimas escorrem dos meus olhos, fazendo as pilastras saírem do preto para um azul esquisito.

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