O braço dominante do homem se assemelhava a uma gaiola, ansiando apenas por confinar a mulher entre seus braços.
Nicole experimentava emoções complexas.
Davi lhe ofereceria qualquer coisa; ele nunca foi avarento em termos materiais, mas isso era tudo.
“— Você acha que eu manteria uma mulher que gosta de mim por perto?”
As palavras que ele disse uma vez ecoavam novamente em seus ouvidos, como uma declaração, mas também como um aviso.
Desde que descobriu que Carolina se interessava por mulheres, Nicole entendeu o motivo de Davi ter escolhido se casar com Carolina, com sua posição e status na Cidade Aurora, muitas famílias desejavam se aliar a ele, mas ele não buscava envolvimento emocional, então preferiu Carolina, que não demonstrava interesse por homens.
Patrícia gostava dele, e, mesmo com Carolina pelo meio, Davi humilhou Patrícia publicamente, sem deixar margem para misericórdia, se Davi descobrisse que ela nutria sentimentos impróprios por ele, como ele a trataria?
Os olhos de Nicole tremiam ligeiramente, e ela disse suavemente:
— Você tem uma reunião na empresa, então vou para casa primeiro.
— Eu te acompanho. — Os longos dedos de Davi afastaram uma mecha de cabelo dela para trás da orelha, as pontas dos dedos quentes deslizando sobre sua pele delicada.
Foi então que, subitamente, um carro preto passou velozmente pela janela, obrigando-os a se desviar rapidamente.
O Carro Relâmpago balançou violentamente, e Nicole quase foi lançada para fora pelo ímpeto.
Nicole gritou.
Davi apertou firmemente sua mão em torno da cintura dela, segurando ela em seus braços:
— Você se assustou?
— Estou bem. — Nicole balançou a cabeça suavemente.
Davi a acalmou com alguns tapinhas leves, seu rosto expressando seriedade, e levantou a viseira para perguntar de modo incisivo:
— O que aconteceu?
— Sr. Davi, foi o carro do Sr. Vasco que bloqueou o caminho intencionalmente, só pude mudar de faixa. — Disse Felipe com respeito.
Davi franziu a testa, um ar de preocupação marcando suas sobrancelhas.
— Foi o Vasco? — Um vislumbre de surpresa atravessou os olhos de Nicole, que olhou para Davi preocupada. — Ele ainda está competindo nos negócios com você?
O olhar intenso de Davi se fixou nela, e seus dedos longos acariciaram seu rosto com delicadeza:
— Nic, eu não vou à falência, eu posso te sustentar.
Nicole ficou sem palavras.
Ela não estava preocupada que ele fosse à falência, mas sim com os problemas que ele poderia enfrentar.
— O que eu posso fazer por você? — Nicole conhecia bem o ódio de Vasco por Davi, desejando vê-lo fracassar, especialmente porque ele havia sofrido várias perdas por causa dela, e isso a fazia se sentir culpada.
Ela não entendia de negócios e não sabia como ajudá-lo concretamente, mas queria compensá-lo de alguma forma, e com esse pensamento, ela expressou isso.
Os olhos escuros de Davi se aprofundaram:
— Você realmente quer me ajudar?
Nicole concordou.
Ela parecia tão séria e adorável que Davi não pôde evitar um sorriso, como se uma onda de calor invadisse seu coração, amolecendo ele.
Os dedos longos do homem acariciaram seu delicado nariz:
— Então cumpra o que você prometeu no jardim.
Nicole ouvia atentamente, mas ao ouvir isso, hesitou por um instante antes de se lembrar do que havia dito, e seu rosto se tingiu de vermelho de embaraço.
Ela sabia que não deveria esperar ouvir algo positivo vindo desse homem!
Nicole não conseguiu se conter:
— Davi, você não pode parar de pensar em coisas impróprias?
— Como estou pensando em coisas impróprias? Estar com você, o que mais eu deveria pensar? — Davi retrucou, se justificando.

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