Nicole tentou ligar, mas não conseguiu resposta.
Ela insistiu cinco vezes, e Davi não atendia.
Após um breve momento de reflexão, decidiu ligar para Bianca, que atendeu prontamente:
— Srta. Nicole, o que a senhora precisa?
— Bianca, o Davi já chegou em casa?
— O Sr. Davi ainda não voltou, Srta. Nicole. Eu vi as notícias sobre a senhora e o Sr. Enzo, vocês...
Impaciente para ouvir o resto, Nicole desligou o telefone abruptamente.
Ela estava exausta demais para explicar aquelas coisas.
Davi não respondia às suas ligações e ainda não havia voltado para casa, deixando ela sem saber onde mais procurá-lo.
...
Em vez de ir para casa, Nicole foi a uma loja de conveniência e comprou uma caixa de cerveja.
O caixa, que a reconheceu como a protagonista do infame vídeo, olhou ela com estranheza e desprezo.
Nicole fez de conta que não notou e, carregando a cerveja, se dirigiu a um canto isolado no parque.
Lá, se sentou no chão, abriu uma lata de cerveja e deu um longo gole.
O sabor amargo do álcool desceu por sua garganta, provocando um forte estímulo que a fez tossir.
Ela raramente bebia, e tanto o gosto amargo quanto o ardor do álcool eram estranhos para ela, mas a dor aguda no peito parecia aliviar um pouco.
Ela não havia feito nada para merecer isso, por que ele não investigava antes de acusá-la?
Depois de tanto tempo juntos, ele realmente a via como uma mulher que se entregaria a Enzo sem limites ou hesitações?
Era assim que ele a via.
Nicole se sentia sufocada e machucada, além da tristeza, havia a decepção pela extrema desconfiança de Davi.
Descartando a lata vazia, ela pegou outra cerveja e continuou bebendo, uma após a outra.
O celular não parava de tocar, com ligações de Severino, Clara, Gabriel, e ela sabia que era por causa das notícias.
Nicole não queria atender o telefone, ela só queria beber.
Aos poucos, Nicole começou a sentir os efeitos da bebida. Seu corpo ficou dormente, incapaz de sentir a dor nos ombros ou o sofrimento em seu coração, o que a deixou muito mais confortável.
Quando Vasco chegou, encontrou essa cena...
Nicole estava sentada no chão, com os joelhos dobrados e abraçando as pernas, segurando uma garrafa de cerveja, com uma caixa de cervejas ao lado e várias latas espalhadas ao redor. À primeira vista, havia pelo menos uma dúzia delas.
Já era noite, e sob a luz tênue, seus olhos estavam semi-fechados, o rosto visivelmente vermelho.
"Quantas cervejas ela deve bebido?"
— Se escondendo dos problemas aqui? — A voz grave do homem ecoou enquanto as rodas de sua cadeira de rodas rolavam sobre a grama.
Nicole tremeu os cílios, abrindo lentamente os olhos na direção de onde vinha a voz.
Seus olhos, brilhantes e embaçados pela bebida, se fixaram nele com um olhar vago.

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