Clara ficou sem palavras por um momento, encarando ela com um olhar complexo, e suspirou:
— É verdade, isso não pode continuar assim para sempre. Mesmo que ele goste de você, ele nunca pensou em lhe propor casamento. Conseguir se afastar dele agora é algo bom, melhor uma dor curta do que uma dor prolongada.
Nicole fechou os olhos, sentindo uma dor amarga se espalhar pelo peito.
Clara, não querendo deixá-la triste, mudou de assunto:
— Então, você vai ficar na minha casa nos próximos dias.
Naquele momento, Clara estava famosa e muito atarefada. Seu trabalho ocupava quase todo o seu tempo e o pouco que lhe restava, ela passava com Gabriel.
Além disso, o local onde Clara morava estava sempre cercado por jornalistas, ela se tornou o principal foco da mídia. Ser vista com Clara poderia colocá-la sob os holofotes novamente.
Nicole não foi para a casa de Clara, mas pediu que Clara a levasse de volta à casa de Vasco, pois tinha assuntos a resolver com ele.
Clara deixou Nicole na casa de Vasco e se foi.
Nicole, carregando sua mala, subiu as escadas até a porta da casa de Vasco e tocou a campainha.
Pouco depois, uma voz suave de dentro respondeu, "Estou chegando," e então uma mulher com o rosto corado e vestindo roupas leves abriu a porta.
Ao ver Nicole, a mulher primeiro expressou surpresa, depois sua expressão se tornou um pouco hostil, rapidamente mudando para medo enquanto dizia, baixando a cabeça:
— Nicole, você... Você voltou. O Sr. Vasco está... Está lá dentro.
Nicole ficou sem palavras.
Observando as roupas escassas da mulher e sua expressão desajeitada, demasiado nervosa para falar claramente, não foi difícil adivinhar a relação dela com Vasco.
— Eu posso entrar? Você poderia dar licença? — Perguntou Nicole.
A mulher rapidamente saiu do caminho, e Nicole, arrastando sua mala, entrou e viu uma cadeira de rodas ao lado do sofá, onde Vasco estava sentado de maneira relaxada, com a camisa amassada e os primeiros três botões desfeitos, exibindo marcas suspeitas de beijos em seu peito pálido.
O homem, habitualmente sombrio e frio, exalava uma aura de desregramento, típica de um homem habituado ao luxo.
Homens só ficam comportados quando o órgão genital não funciona mais.
Vasco, imperturbável, ergueu levemente as sobrancelhas, dedilhando casualmente o braço do sofá, enquanto seus olhos percorriam a mala dela.
— Continuem, façam de conta que eu não estou aqui.
Nicole disse calmamente, pegando sua mala e indo para seu quarto.
Atrás dela, a voz mimada da mulher soou surpresa:
— Sr. Vasco, Nicole é tão compreensiva...
Nicole ficou sem palavras.
...
Nicole voltou ao seu quarto, colocou a mala no lugar, foi ao banheiro lavar o rosto e, olhando no espelho para seu rosto pálido, deu um sorriso mais triste que choro.
Ela e Davi realmente haviam terminado.
O coração de Nicole parecia ter sido esvaziado.

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