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O Doutor que me rejeitou romance Capítulo 1

Estela

Eu sabia que isso era loucura. Sabia desde o momento em que ele me puxou pela mão, tropeçando pelos próprios pés, embriagado, os olhos mais turvos que eu já tinha visto, mas ainda assim lindos... Meu Deus, como podiam ser tão lindos?

— “Preciso... preciso de ajuda...” ele balbuciou, segurando no batente da porta como se o mundo estivesse girando rápido demais.

— “Vem, Guilherme... Eu te ajudo...” minha voz saiu num sussurro, trêmula, quase quebrada. Meu coração disparava tanto que parecia que ia rasgar meu peito.

Ele se apoiou em mim, e meu corpo miúdo quase cedeu, mas eu estava determinada. Apoiá-lo, guiá-lo, cuidar dele... Como sempre quis.

O cheiro de álcool se misturava ao perfume amadeirado dele. Seu braço forte apoiado nos meus ombros. Cada toque queimava minha pele como se marcasse a ferro cada segundo daquela noite.

Quando chegamos no quarto, ele deixou o corpo cair sobre a cama, levando as mãos ao rosto. Soltou um suspiro longo, pesado... Dolorido.

— “Droga...” murmurou. — “Por que bebi tanto...?”

Eu engoli em seco, me ajoelhei ao lado dele, passando a mão de leve nos seus cabelos.

— “Você precisa de um banho, Gui...” — falei baixo, quase sem voz, mas ele só fechou os olhos, como se lutasse contra o peso da própria cabeça.

— “Me ajuda...” pediu, sem nem perceber o que estava dizendo.

Ajudei. Sem pensar, sem racionalizar, apenas segui meu coração aquele mesmo que bateu por ele a vida inteira.

A cada botão da camisa que eu desfazia, minha mão tremia mais. A cada pedaço de pele que se revelava, meu corpo inteiro parecia entrar em combustão. E, no fundo, eu sabia... Que aquela noite mudaria tudo.

Ele me olhava, meio perdido, meio entregue. Quando meus olhos encontraram os dele, foi como se todos aqueles anos de amor silencioso, escondido em cartas anônimas e sonhos proibidos, explodissem dentro de mim.

— “Estela...” ele sussurrou meu nome, rouco, com a voz arrastada, segurando meu queixo entre os dedos, me obrigando a olhar pra ele. — “Por que você... é tão...?”

Ele estava entregue, vulnerável... Mas, mesmo bêbado, seus olhos me devoravam de um jeito que eu jamais imaginei.

Suas mãos pesadas deslizaram pelas minhas costas, segurando minha cintura com firmeza. Me puxou até seu colo, nossas bocas se encontraram, quentes, urgentes, como se o mundo inteiro precisasse parar só pra nós dois.

O primeiro arrepio percorreu meu corpo quando ele beijou meu pescoço, mordiscando de leve. Seu cheiro, sua pele quente, as suas mãos leves de cirurgião... Tudo nele me deixava tonta, entregue.

Quando ele segurou a barra da minha blusa e puxou pra cima, senti minhas mãos trêmulas, mas não recuei. Nunca recuaria. Meu corpo tremia, não de medo, mas da expectativa, do desejo, da realização de um amor que carreguei a vida inteira.

Seus lábios traçaram caminhos pela minha pele, cada toque acendia algo em mim que eu nem sabia que existia. Quando me deitou na cama, seus olhos encontraram os meus, e por um segundo ele pareceu hesitar.

— “Se... se não quiser...” balbuciou, rouco, perdido, mas antes que ele completasse, eu levei minha mão até o rosto dele e sorri, mesmo com o coração disparando.

— “Sempre foi você...” sussurrei, deixando claro que eu queria. Que eu escolhia ele.

Ele fechou os olhos, pressionou a testa contra a minha e então, com cuidado, suas mãos buscaram o cós do meu short, deslizando lentamente, observando cada reação minha. Meu corpo inteiro tremia, minhas pernas pareciam fracas, mas eu queria... Queria mais do que tudo.

Seus dedos percorreram minha coxa, minha barriga, meu peito, deixando um rastro de fogo. Quando me despiu completamente, ele respirou fundo, deslizou a mão pelos meus cabelos e sussurrou:

— “Você é... linda... tão linda...”

O toque dele não era perfeito, não era calculado, era urgente, era real. Quando

preencheu, meu corpo enrijeceu, uma mistura de dor e prazer me fez perder o fôlego. Uma lágrima escorreu pelo canto dos meus olhos, mas eu não queria que ele parasse. Eu segurei seu rosto e o puxei pra um beijo, abafando o som do incômodo que meu corpo sentiu.

Ele percebeu, tentou ser mais delicado, mas estava tomado, perdido, entregue... E eu também. A conexão dos nossos olhares, os gemidos contidos, a respiração descompassada... Tudo ali era verdadeiro, mesmo que ele não entendesse isso.

Quando chegamos ao ápice juntos, ele segurou minha mão forte, como se precisasse se ancorar em alguma coisa. Seu corpo caiu sobre o meu, pesado, quente, e pela primeira vez na vida eu senti que estava exatamente onde sempre sonhei estar: nos braços dele.

Adormecemos assim...

Guilherme

A dor de cabeça me fez abrir os olhos lentamente. A claridade do quarto me atingiu

como lâmina, e o gosto amargo de álcool me fez apertar os olhos, confuso. Levei a mão à testa, massageando, tentando lembrar...

O cheiro doce no ambiente me atingiu antes de qualquer lembrança. Meu corpo estava estranho, pesado, como se tivesse atravessado a noite lutando contra algo que eu sequer conseguia nomear.

Virei o rosto... e então vi.

Ela estava ali.

Estela.

Deitada ao meu lado. Seus cabelos ruivos bagunçados, os cílios longos repousando na pele clara, e uma expressão serena... como se estivesse em paz.

O choque subiu como fogo.

— “Não... Não, não...” minha voz saiu em sussurros, sufocada. Sentei de supetão, levando as mãos ao cabelo, apertando os fios, quase arrancando. “Não pode ser...”

Capítulo 1 1

Capítulo 1 2

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