Entrar Via

O filho secreto do bilionário romance Capítulo 155

Benjamim a agarrou pelos ombros e olhou profundamente nos olhos enrugados de Carlota. Aquilo não podia estar acontecendo, ela não deveria ser a mente maquiavélica por detrás de toda essa tragédia.

Carlota não tentaria assassinar o próprio filho, tentaria?

O choro que escorria pelo seu rosto parecia sincero e quem não a conhecesse de fato acreditaria que ela estava realmente emocionada com a situação. Mas Benjamim não acreditava no seu teatro banal.

Ele se afastou repentinamente, como se tivesse visto um monstro diante de seus olhos. Era assim que ele enxergava Carlota agora, como um monstro.

— Você não pode ter feito isso – ele disse, tentando ligar os motivos – como a senhora conseguiu mandar me sequestrar?

O rosto de Carlota tornou-se branco de repente e ela foi obrigada a desviar o olhar.

— Do que você está falando? – sua voz falhou, suas mãos tremularam – está dizendo que tenho alguma coisa a ver com isso?

— Responda à senhora, mãe - ele tentou não elevar a voz, foi quase impossível.

O som das palavras saiu alto e rasgante, assustando Carlota. Ela passou os olhos ao redor, como se temesse que alguém ouvisse aquela conversa. Seu rosto denunciava que Benjamim estava certo.

— Você acha mesmo que eu teria coragem de mandar sequestrar você? – Ela, rapidamente, enxugou as lágrimas e seu semblante se modificou.

Carlota girou o pescoço e olhou para Vladir, que permanecia parado no fim do corredor, esperando por Benjamim. Depois, olhou para o filho novamente e pensou em uma maneira de escapar daquela confusão.

Enquanto isso, Benjamim observava os movimentos dela, tentando encontrar qualquer falha que a denunciasse e desse a certeza de que ele estava certo de suas acusações. Mas Carlota permanecia irretocável na sua atuação.

Por outro lado, foi devastador ele perceber que sua própria mãe tentou eliminá-lo.

— A senhora sabe que o juiz dará a guarda do Adam para mim, não é mesmo?

Carlota encarou-o nos olhos. A expressão no seu rosto se modificou para algo que Benjamim não soube explicar.

— Eu só vim aqui ver como você estava – ela colocou a bolsa sobre os ombros e apagou do rosto qualquer rastro de sentimentalismo. Não cairia na armadilha de Benjamim – e que bom que não foi você quem levou um tiro.

— Seja lá quem foi que tenha atirado no Fred, eu o farei pagar – olhou no fundo dos olhos dela, para ter certeza de que Carlota ouviria bem o seu recado – ainda que essa pessoa seja a senhora.

Ele começou a caminhar para longe dela. Foi até Vladir sentindo o peito esquentar como se o seu coração fosse uma bomba relógio, parou ao lado de Valdir e depois desapareceu.

Carlota ficou em silêncio, digerindo a informação. Depois de alguns minutos, percorreu o mesmo caminho de volta e saiu do hospital.

Naquela noite, Benjamim foi ao necrotério reconhecer o corpo de Frederico. A sensação que ele tinha ao olhar para o corpo pálido e sem vida era de que Fred estava apenas dormindo. Um nó se formou em sua garganta ao lembrar os poucos momentos em que havia passado ao lado de Fred. O quanto eles haviam se tornado amigos rapidamente. Fred acompanhava-o para todos os lados. Era um excelente enfermeiro e um ótimo cofre de segredos. Obtinha no coração dele, que agora não mais batia, todas as confissões de Benjamim.

— Ou seja, estou condenado a ficar preso para sempre nessa cidade.

O tom irônico com que Benjamim usou para dizer isso quebrou o clima tenso entre eles e as palavras de Benjamim até fizeram Vladir sorrir.

— Se você estiver dizendo a verdade, eu vou descobrir logo – o acompanhou até a porta. Quando Benjamim já estava do lado de fora no corredor, Vladir lhe disse uma última coisa.

— Acho que você ganhou na loteria – Benjamim franziu a testa – ganhou um filho e de brinde a ruiva mais bonita da cidade. Deveria voltar para o hospital para cuidar dela.

Benjamim estranhou as palavras dele, ainda mais com o tom com que elas foram pronunciadas. A conversa daquela noite havia começado com acusações e desconfianças, mas Vladir agora parecia convencido de que Benjamim realmente era inocente.

Por outro lado, ele estava animado com a investigação. Há muito tempo não havia um crime como aquele pelas redondezas. Foi como se sua profissão ganhasse vida, ainda que uma vida em cima da morte de outra pessoa.

Benjamim agradeceu a dica e saiu da delegacia em silêncio. Antes de voltar para o hospital, ele ligou para Henrico. Já passava das duas da manhã. Qual era a possibilidade daquele velho rabugento atender o telefone àquela hora? Mas na segunda chamada, ele ouviu a voz do homem do outro lado, que logo perguntou sobre o estado de saúde de Antonela.

— Ela está bem, – fez uma pequena pausa – leve o Adam para a fazenda amanhã e venha para o hospital ficar com a Antonela. Preciso preparar um funeral.

Henrico concordou com ele, e após saber que Adam dormia, a ligação foi encerrada. Voltou para o hospital e encontrou Dominique debruçada sobre a velha cadeira, dormindo ao lado de Antonela.

Preferiu não as acordar. Passou a noite a vigiar. Por mais que ele quisesse dormir, ele não conseguiria. Ele só teria paz quando encontrasse o assassino de Fred.

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: O filho secreto do bilionário