Benjamim entrou na casa sem saber exatamente para onde deveria ir. Seus sentimentos bagunçados refletiam em seus passos. Ele sentia-se completamente perdido. Ouviu a voz de Adam, que vinha dos fundos da casa, e atravessou o longo corredor até o encontrar em um quarto na companhia de Dominique e Carmélia.
As mulheres se levantaram assustadas, como se ele fosse um inimigo que precisava ser combatido. Benjamim odiou a maneira como elas olharam para ele. Todos já sabiam da decisão do juiz porque Antonela havia contado e agora ele passara a ser o vilão da própria história.
Foi o abraço carinhoso que Adam deu nele que quebrou toda a tensão que havia no ambiente. O garoto era o único que parecia feliz com a presença dele. Se Adam soubesse os motivos que o levaram ali, se ele conseguisse compreender os problemas dos adultos ao seu redor, talvez não ficasse tão feliz.
Ainda bem que a inocência dele o bloqueava do breve sofrimento.
Carmélia e Dominique se entreolharam e continuaram paradas no mesmo lugar. Benjamim não era nenhum homem mal e elas tinham consciência do imenso amor que ele sentia pelo filho, mas o que ele estava prestes a fazer destruiria o coração de todos.
Ele olhou nos pequenos olhos do filho e soube que o momento de contar a verdade havia chegado. Benjamim ainda sentia as pontadas agudas atingindo seu coração quando se lembrava do que Antonela fizera, mas ele bloqueava a dor para não fazer Adam sofrer também.
— Vim buscar você para passar uns dias comigo, na minha casa – ele disse, tendo sido surpreendido com o sorriso largo de Adam.
— A mamãe me disse – Adam respondeu – ela pode ir conosco?
A pergunta dele foi como ondas de choque invadindo o corpo de Benjamim. Ele não queria imaginar qual seria a reação de Adam ao perceber que não voltaria mais para casa.
Ele estava pronto para responder, quando Antonela atravessou a porta e parou em frente a eles. Os olhos vermelhos e o rosto contorcido com arrependimento e desespero. Os olhos fixados nos dele, disposta a tentar consertar as coisas entre eles. E ela não sairia dali até que fizesse isso.
Lagrimas encheram os olhos de Antonela, mas ela as engoliu. Estava cansada de chorar. As palavras dele provaram que as súplicas dela seriam em vão.
— Benjamim… – ela foi interrompida pelo modo rude com que ele a encarou – deixe que eu ao menos me despeça do meu filho.
— Você não precisa agir como se isso fosse um adeus – ele limpou a garganta após perceber que sua voz saiu alta demais – você poderá vê-lo quando quiser, sabe disso.
Antonela sabia, mas, no fundo, não era o mesmo. Ela não queria ver Adam apenas nos finais de semana, e esquecer que foi ela quem cuidou e o amou desde o seu nascimento. Ela não podia fingir estarem arrancando seu coração para que ela sobrevivesse sem ele.
— Por que está fazendo isso? – ela deu um passo à frente, na intenção de ficar perto dele – porque agora quer tirar o Adam de mim. Você me prometeu que não permitiria, você…

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