Gonzalo girou os calcanhares e partiu, deixando-a sozinha com um amontoado de palavras presas em sua garganta sem ter a chance de dizer a ele. Não havia nenhum lado bom em toda essa história. Antonela teria que suportar mais uma longa semana longe de Adam e se conformar com as migalhas dada por aquele maldito juiz.
Quando Benjamim soube da decisão, considerou um bom castigo para Antonela. Talvez assim ela pensasse bem, da próxima vez antes de desapontá-lo, mas as coisas começaram a sair do seu controle. Benjamim viu os dias se arrastarem e com eles toda a alegria de Adam também.
— Quando a mamãe vem me buscar? – havia lágrimas nos olhos dele ao perguntar aquilo.
Já era a terceira noite que Adam não dormia direito e não permitia que Benjamim também descansasse. Aquela rotina estava afetando até mesmo o seu desempenho no trabalho. Ele segurou o garoto pelo braço e o aproximou, sabendo que precisava lhe contar a verdade de uma vez por todas.
— A Antonela não vem buscá-lo – Adam arregalou os pequenos olhos para ele – você agora vai morar comigo e irá ver sua mãe apenas uma vez por mês.
Então Adam chorou como qualquer criança de três anos choraria e ele só conseguiu falar quando os soluços cessaram.
— Quero voltar para a casa da tia Carmélia – ele sacudiu os pés e fechava os olhos, demonstrando o quanto sofria por estar ali – quero ficar com minha mãe, estou com saudades dela.
Benjamim sabia que sim. Agarrou os meninos em seus braços porque não restava a ele outra coisa além de consolá-lo. Benjamim previu que aquilo iria acontecer. Que Adam não se adaptaria à nova vida e que sentiria falta da liberdade que sempre tivera morando na casa de Carmélia. Ele não estava preparado para ver o filho sofrer tanto, ele não imaginou o quanto doeria.
— Olhe para mim, Adam – segurou no pequeno rosto dele molhado de lágrimas - amanhã é o dia em que a Antonela vai ficar com você. Vou levá-lo para a casa da Carmélia e você poderá ficar lá alguns dias.
Observou-os entrar na casa e depois de alguns minutos ele saiu do veículo e caminhou até lá. Depois que Antonela ouvisse o que ele tinha para dizer, o odiaria um pouco mais, dessa vez para sempre.
Corajosamente, ele entrou na casa e todos os olhares se voltaram para ele. Mas foi o olhar de Antonela que o paralisou. Ele não queria ter que reencontrá-la daquela forma.
Ela estava pronta para fugir, girar os calcanhares e sair dali, fingindo que aquele reencontro jamais existira, despejando sobre ele todo o seu desprezo, mas Benjamim a agarrou pelo braço e a puxou de volta. Ela ouviria o que ele tinha a dizer, mesmo contra sua vontade.
— Tenho uma proposta para fazer a você – ele olhou para ela tão próximo que quase perdeu o controle – e você vai me ouvir, pelo seu bem e pelo Adam.

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