Antonela ficou parada, olhando para a porta de onde Benjamim havia saído minutos antes na companhia de Helen, se perguntando se ele havia esquecido a noite que eles haviam passado juntos e das promessas que haviam feito de tornar aquele relacionamento sério.
Ela queria ter sido acordada por ele, tomado café juntos, planejado como seria o dia. Ela queria ver o Adam, acompanhá-lo até a escola, conhecer seus professores, mas nada disso havia acontecido. Eram oito horas da manhã e a sensação que ela tinha era de que o dia já havia terminado.
Ela viu seu marido sair pela porta acompanhado de outra mulher que não era ela, e pior, uma mulher sedutora. Tentou afastar os pensamentos quando se arrastou até a mesa com o café da manhã posto e se conformou de que teria que fazer aquilo sozinha.
Enquanto mastigava lentamente o pão, relembrava a noite ao lado de Benjamim. Um sorriso bobo brincou nos seus lábios e ela nem percebeu quando Carlota se aproximou. Foi o arrastar da cadeira que fez Antonela levar um susto e arrancar toda a felicidade do rosto ao olhar para a mulher à sua frente.
— Onde está o meu filho? – Antonela odiava o modo soberbo com que Carlota falava com ela.
— Foi trabalhar – ela respondeu e continuou comendo tranquilamente, como se nada estivesse acontecendo.
Não viu quando Carlota analisou a roupa que ela estava vestindo e o desprezo em seu rosto ao constatar o que havia acontecido para que ela estivesse vestindo a camiseta de Benjamim.
Quando o empregado da casa entregou a Carlota o jornal da manhã e ela leu as notícias, fez questão de mostrar a foto de Benjamim ao lado de Helen, como se estivesse bastante satisfeita com a aproximação dos dois.
— Que belíssima foto, não acha Antonela? – levantou o jornal e mostrou a ela. Antonela arregalou os olhos – eu queria estar lá para presenciar o meu filho se tornando sócio de Hellen Benedite. Eles formam um casal tão bonito. Sabia que eles namoraram na adolescência?
As palavras de Carlota fizeram Antonela engasgar-se com o suco que tomava. O rosto dela ficou vermelho e ela teve dificuldades para respirar pelos minutos que se passaram.
Antonela sentiu que, se ficasse mais um minuto ali, teria uma bela indigestão só por ouvir a voz de Carlota. Aliás, ela nem sequer merecia sua atenção. Antonela se levantou, escondendo o quanto estava incomodada com o que acabara de descobrir e alargando um sorriso, preparou-se para voltar ao seu quarto e se preparar para ir trabalhar.
— Com o retorno da Helen, esse casamento falso entre você e o meu filho vai ruir lentamente e você será descartada como uma coisa qualquer.
Antonela sentiu a acidez das palavras de Carlota, cortando-lhe as camadas do seu coração. Ela girou o pescoço para olhá-la e viu o quanto Carlota sentia prazer em dizer aquilo. Mas ela não permitiria que Carlota vencesse essa guerra.
— Ela pode tentar – Antonela girou os pés descalços e olhou bem nos olhos de Carlota – mas vai se decepcionar quando descobrir que o nosso casamento está mais forte do que nunca. Se você tinha a intenção de me envergonhar espalhando essa história de casamento falso, digo-lhe que foi um tiro no pé.

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