— Thiago, fui eu que errei com você no passado...
Thiago deu uns tapinhas leves nas costas dela. — Sobre as coisas do passado, cada um teve seus motivos. Já foi, não precisa mais falar sobre isso.
Os dois se abraçaram e caminharam para o salão.
Mas o olhar de Thiago não conseguia deixar de ir em direção ao fundo do corredor.
Onde a Beatriz tinha ido parar? Será que ela tinha mesmo ido atrás do Maurício? Ela realmente não tinha noção das coisas.
Ele franziu a testa, sentindo de repente uma irritação inexplicável crescer dentro de si.
...
Do outro lado, Maurício levou Beatriz para uma sala de descanso privada.
A porta se fechou atrás deles, bloqueando qualquer som do lado de fora.
O quarto estava silencioso, apenas com o zumbido fraco do ar-condicionado. A decoração era discreta, mas luxuosa, com cada detalhe refletindo o gosto e o status do dono.
Maurício foi até a cadeira de couro e sentou-se numa postura relaxada.
Ele se encostou, cruzou as pernas. Seus olhos escuros pareciam desinteressados, mas ao mesmo tempo passavam a pressão de quem olhava para tudo de cima.
Com a mandíbula marcada, olhando para ela com os lábios finos levemente levantados. Não disse nada, só esperou que ela começasse a falar.
O coração de Beatriz estava batendo rápido. Ao olhar para ele, uma pessoa cruzou sua mente.
Lorenzo.
Os dois eram parecidos demais, praticamente o mesmo molde.
Mas, ao mesmo tempo, eram diferentes: um era frio feito gelo, o outro escondia uma faca no sorriso.
Seja pelo status ou pela personalidade, os dois não tinham absolutamente nada a ver um com o outro.
Mas se fossem realmente duas pessoas, por que se pareciam tanto?
Uma ideia ousada passou pela cabeça de Beatriz.
Ela engoliu em seco e abriu a boca lentamente.
Beatriz se debateu, mas não conseguiu se soltar. Só então ela teve uma impressão real daquele homem cruel: a crueldade dele era verdadeira, vindo de dentro para fora, exalando dos seus ossos.
Maurício se levantou, andou até ela e a olhou de cima.
Ele se curvou de leve na direção dela. Aqueles olhos estavam tão frios que ninguém ousaria encarar.
— Beatriz, você tem coragem de brincar comigo?
A garganta de Beatriz apertou, e o suor frio escorreu pela espinha: — Eu não estou...
— Lembra o que eu disse antes de entrarmos?
Maurício endireitou o corpo e a encarou de cima.
O sorriso no canto da boca dele ainda estava lá, até maior que antes, mas não chegava nem um pouco aos olhos, sendo frio a ponto de assustar.
Beatriz olhou para aquele sorriso, sua mente zumbiu e seu coração começou a bater descontroladamente.
Ela tinha apostado errado?

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