Na manhã do dia seguinte, Beatriz estava em frente à entrada do hospital esperando. A equipe havia se juntado, havia três carros parados no acostamento e as caixas com os equipamentos já estavam guardadas.
Ela percorreu o olhar pelas pessoas e começou: — A rotina de coleta já foi enviada no e-mail de todos na semana passada. Vou só frisar dois pontos.
— Primeiro: a identificação nas amostras tem que ser validada no ato da coleta, sem dessa de deixar para checar no laboratório depois. E segundo: se o paciente demonstrar irritação, parem o processo ali mesmo e passem para a próxima.
Todos estavam voltados para ela, esperando o término da orientação para irem para os carros.
Ela parou e deslizou o olhar no rosto da equipe com um sorriso nos lábios.
— Força, gente. Nossa pesquisa agora passou para a fase dois, a gente está um passo mais próximo de atingir a nossa meta, e quando esse remédio for para o mercado, vão se lembrar dos nomes de cada um de vocês.
O pessoal da equipe se entreolhou, como se visse algo surreal.
Antes, Beatriz era sempre uma pessoa independente, sem papo. Quando alguém a questionava sobre alguma coisa, ela respondia, mas a feição era sempre de frieza e distanciamento.
Mas hoje ela até esboçou um sorriso e falou essas coisas.
Houve até quem conferisse o sol, se não tinha nascido no oeste.
Porém o real motivo era a reunião da véspera. Beatriz agora sabia que, mesmo sendo excelente, de nada vale matar-se de trabalhar se for lutar sozinha.
A equipe é os braços dela e as costas também, então o grupo tem que se manter em união.
Ela não abriu mais a boca e colocou o primeiro grupo no carro e pegou o caminho de trás.
Já ia batendo a porta quando escutou uma risada irônica vindo de trás.
— Beatriz, você por acaso não está achando que agora, só porque foi nomeada chefe, já se considera uma pessoa espetacular?
Ela foi para o último carro, abriu o celular e enviou mensagem ao Thiago: — Thiago, a equipe tá a caminho. Eu e o nosso bebê estamos empolgados, já que essa vai ser a primeira vez que vou ao hospital recolher as amostras, agora que o cargo é meu.
Como não obteve retorno dele após o envio, Melissa mastigou o lábio de baixo.
Não tardou para as conduções irem parar no estacionamento do hospital. Beatriz havia ligado antes para confirmar e o próprio diretor se encontrava lá esperando. Eles bateram um papo inicial e ele começou a caminhar guiando o grupo, pelos fundos da enfermaria.
No longo corredor em direção às suítes de internados enchia-se do forte cheiro do produto de limpeza, enquanto andavam, iam conversando, confirmando tudo sobre as coletas e os perfis em específico.
Toda palavra abordava um assunto fundamental, e o administrador da clínica, já na faixa dos 50 anos, a observava claramente espantado com a dedicação profissional da Beatriz.
Pela caminhada ele expunha sobre alguns dos casos que dariam certinho com a seleção, agindo com plena disponibilidade em apoiá-la.
Pelo canto avesso no hospital, após Melissa virar o quarteirão num dos corredores, logo deu de frente para um indivíduo em seu jaleco de médico.

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