Beatriz abaixou o olhar e riu levemente. — Claro que não.
Ela levantou a cabeça, encarando-o, e hesitou por um momento. — Sr. Maurício, quer continuar a dança?
Maurício observou o jeito dela desanimado e logo percebeu que ela não estava muito a fim.
A última música a fez relaxar muito, mas em geral o que vem depois do relaxamento é o dobro do cansaço.
— Vamos para aquele lado. — Ele falou, muito compreensivo.
Beatriz seguiu a linha do olhar dele e viu uma fileira de bancos do outro lado do salão, um ótimo local para sentar.
Foi até lá lado a lado com ele e sentou-se nos lugares perto da parede.
Quando se sentou, o corpo dela cedeu um pouco, encostando acidentalmente no peito do homem, e ela se ajeitou bem rápido na cadeira.
No momento que recostou as costas no banco, a espinha rígida finalmente pôde dar uma relaxada.
Maurício entregou um copo de suco. Beatriz pegou e tomou um gole. A bebida bem gelada e azedinha se espalhou na ponta da língua.
De repente, ela notou como o homem era cuidadoso. Antes, na pista, a dança a fez transpirar, e agora o que ela mais precisava era de algo refrescante, que logo foi entregue. Ele também sabia que ela estava no expediente de trabalho, o que não combinava com álcool.
— Obrigada. — Ela segurou o copo com as duas mãos.
— Quando quiser ir embora, é só me falar e a gente volta. — Maurício se sentou ao lado dela, e num instinto acabou se inclinando um pouco mais.
Beatriz virou a cabeça e o observou de perfil. A mesma sensação veio à tona de novo. Havia claramente tristeza naquele jeito que ele encarava a janela mais cedo.
Agora ele tinha voltado a ser o Sr. Maurício, mas não conseguiu evitar a pergunta.
— Sr. Maurício, por que parece que sempre carrega uma aura muito melancólica?
— Obrigada.
Maurício desviou o assunto com sucesso: — Ah, por sinal, daqui a uns dias a gente precisa ir ao hospital coletar umas amostras de células cancerígenas. Você leva a sua equipe lá, e, se pintar algum imprevisto, me ligue imediatamente.
Beatriz concordou com a cabeça. Os dois não ficaram muito mais tempo e foram embora do encontro.
Sobre a questão de ele e Lorenzo serem a mesma pessoa, acabou caindo no esquecimento em meio às demandas do trabalho.
A pesquisa tinha avançado para a segunda etapa, que exigia células de câncer. No dia seguinte, ela liderou sua equipe rumo ao hospital.
Melissa, claro, estava lá. Ela se sentia injustiçada de a equipe só ser chefiada pela Beatriz. Afinal, a ameaça da Amanda já havia sido controlada e ela não se considerava menos competente que Beatriz, só que Maurício nem parecia reparar nela.
Melissa mordeu os lábios. Apoiou o olhar nas costas de Beatriz com uma frieza crescente.
Para a sorte dela, ela já tinha dado o aviso para o Thiago com antecedência, e a Beatriz não conseguiria retirar aquela amostra com facilidade.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: O Fim da Ilusão: Grávida de Gêmeos de Outro Homem