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O Fim da Ilusão: Grávida de Gêmeos de Outro Homem romance Capítulo 277

O coração de Beatriz errou uma batida. Ela levantou a mão e empurrou levemente o peito dele, tentando aumentar a distância entre os dois, e a voz perdeu a força sem ela perceber: — Sr. Drumond?

Maurício de repente baixou a cabeça; o rosto de traços marcados se aproximou do ouvido dela, e a voz grave e rouca raspou no tímpano como uma lixa.

— Não me chame de Sr. Drumond.

A respiração de Beatriz apertou. Nas costas havia a parede fria e, na frente, o peito quente dele. Sem saída, o coração dela errou duas batidas.

Ela nem percebeu que a voz ficou mais suave; quase por instinto, ela perguntou: — E como eu te chamo então?

Maurício pensou por um instante. O álcool deixava o pensamento dele lento e confuso.

Ele inclinou levemente a cabeça, os lábios quase encostados no lóbulo da orelha de Beatriz, e a voz soou incrivelmente baixa: — Me chama de Lolo.

Beatriz congelou. — Lolo? Que nome é esse?

Maurício puxou os lábios, dando um sorriso amargo. Aquele sorriso pendurado no rosto embriagado o fazia parecer muito solitário. — Era como ela costumava me chamar. Diz aí, como uma pessoa pode mudar tanto de uma noite pro dia? Antes ela me amava tanto.

O coração de Beatriz pareceu ter levado um puxãozinho.

E a resposta quase saiu num salto: — Essa pessoa é a sua mãe?

Maurício não respondeu. Aquele cheiro quente de álcool que saía dele pareceu esfriar de uma hora pra outra, e o clima que existia ali foi embora na mesma hora.

Ele tirou a mão apoiada na parede, virou-se e continuou andando. O passo ainda era mole, mas a direção era certa.

Beatriz ficou parada, respirou fundo, puxou o celular, achou o número do assistente do Maurício e ligou. Teve muito trabalho para fazer o assistente chegar e enfiar o presidente bêbado no banco de trás do carro.

Ela ficou na calçada olhando a luz traseira do carro preto sumir na esquina, jurando para si mesma que nunca mais bebia com aquele cachaceiro na vida.

Na manhã seguinte, quando o despertador tocou, Beatriz sentiu que o corpo todo doía.

Ela se virou e tentou sentar. Os músculos das costas e dos ombros estavam doloridos, como se tivessem sido esmagados por algo.

Ela saiu da cama com a testa franzida, ficou na frente do espelho, batendo de leve nas costas sem conseguir entender o que tinha acontecido.

Ontem ela só bebeu um pouco com o Maurício, não carregou peso nenhum, não fez exercício, e agora o corpo todo estava mal como se tivesse sido atropelado por um carro.

Ela esfregou o ombro, enquanto na sua cabeça passou a imagem de Maurício encostando-a na parede do beco à noite. A mão fechando o botão da camisa parou por um segundo; deixa pra lá, melhor não pensar.

Beatriz foi ao escritório de Maurício com os documentos para entregar o relatório.

Ela chegou na porta, viu que não estava fechada, e escutou de dentro o som da respiração pesada do homem.

Ela empurrou de leve e viu Maurício sentado atrás da mesa, com a mão no meio da testa segurando as sobrancelhas, o rosto todo cheio de uma cara de quem está aguentando a dor.

Ele não fazia isso no escritório antigamente. A qualquer hora, ele estava com aquele rosto tranquilo.

Ela passou com passos leves; os olhos fixaram-se um instante nele e perguntaram baixinho: — Aconteceu alguma coisa, Sr. Drumond? Tinha gente mexendo nas coisas lá embaixo.

Maurício escutou a voz e tirou as mãos do rosto; os olhos que viviam espertos estavam cheios de veias vermelhas, com a voz embargada: — Não ligue pra ele. Pode voltar a trabalhar, deixa isso aí que eu assino depois.

Beatriz continuou ali avaliando o homem e viu que, tirando o rosto meio esquisito, não tinha nada demais.

Tudo aquilo que ele disse e que rolou ontem, ele parecia nem lembrar mais de nada.

Beatriz sentiu uma sensação confusa no peito, botou o papel em cima da mesa e confirmou com a cabeça: — Se precisar de algo, é só chamar.

Em seguida, virou as costas e desceu.

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