Beatriz empurrou a porta do quarto de hóspedes. As cortinas não estavam fechadas, e a luz do luar entrava pela janela, batendo direto na mesa de cabeceira.
Seu olhar recaiu sobre a mesa de cabeceira. Havia algo ali, refletindo um leve brilho metálico sob o luar.
Beatriz se aproximou e olhou para baixo. Era um relógio de bolso.
A tampa do relógio estava aberta, virada para cima. Era impossível não ver.
No interior do relógio havia uma foto incrustada. A garota da foto tinha um sorriso radiante, parecia ter dezoito ou dezenove anos, usava rabo de cavalo e tinha os olhos curvados como meias-luas. Toda a sua figura exalava juventude.
Os dedos de Beatriz pausaram levemente. Aquela devia ser a pessoa de quem Lorenzo gostava.
Ela tentou imaginar como alguém tão frio como Lorenzo ficava quando gostava de alguém.
Pensou por um bom tempo, mas a única coisa que lhe veio à mente foi aquele rosto que mantinha todos a distância. De repente, achou um pouco engraçado. Para conseguir derreter alguém assim, aquela garota devia ser muito especial.
Ela pegou o relógio de bolso, fechou-o com cuidado e colocou-o na palma da mão.
Depois, guardou o relógio, planejando devolvê-lo a Lorenzo no dia seguinte. Ela fechou as cortinas, virou-se e voltou para o seu quarto.
Na manhã seguinte, Beatriz foi acordada pelo som de mensagens no celular. Sonolenta, tateou a tela do celular, que brilhou forte, e apertou os olhos para ver o remetente.
Eram duas mensagens de Thiago.
A primeira foi enviada às três da manhã: "Esposa, eu te amo."
Beatriz olhou para aquela mensagem e, de repente, achou um pouco engraçado. Ela também riu baixinho, enquanto seu olhar ficava cada vez mais frio.
Lembrou-se de um post que tinha lido há muito tempo. Quando um homem faz algo de que se sente culpado, ele passa a te tratar muito melhor e a dizer coisas românticas que não costumava dizer.
A profecia se cumpriu. Estava tudo bem ali na sua frente.
Ela continuou rolando a tela para ver a segunda mensagem.
"Por que você simplesmente foi embora ontem? Por mais desagradáveis que sejam as palavras da mãe, ela ainda é nossa mãe. Além disso, ela sempre falou assim e você sempre aguentou. Por que seu temperamento tem piorado ultimamente?"
Beatriz olhou para aquela linha. Aquilo era o que ele realmente devia dizer. Só que, depois de ler, o bom humor da manhã inteira desapareceu em um instante.
Ela soltou um leve suspiro, apagou a tela do celular, virou-se e afundou o rosto no travesseiro.
Antes, ela aguentava porque o amava. Agora que não o amava mais, por que ainda tinha que aguentar?
Ela não respondeu. Colocou o celular na mesa de cabeceira e levantou-se para se lavar.
Ao sair do quarto, Dona Regina já estava ocupada na cozinha. Na mesa de jantar havia mingau de milho, alguns pratinhos com acompanhamentos e bolinhos recheados recém-saídos da panela, ainda soltando fumaça.
— Bia, venha tomar café. — Dona Regina saiu da cozinha segurando duas tigelas de mingau e sorriu ao vê-la. — Se não tomar café da manhã, vai ficar com fome e seu rendimento vai cair.
Beatriz sentiu o coração aquecer. Ela se aproximou e sentou. — Obrigada, Dona Regina.
Ela pegou o mingau e tomou um gole. O aroma suave do milho se desfez na ponta da língua, e o calor se espalhou da garganta até o estômago.

VERIFYCAPTCHA_LABEL
Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: O Fim da Ilusão: Grávida de Gêmeos de Outro Homem