Beatriz passou por eles sem expressão no rosto. Ela não se importava se poderia ir para o Grupo Drumond. Só queria que o projeto em suas mãos continuasse sem problemas.
Assim que chegou à porta do laboratório, o som de um motor de carro veio de trás dela.
Ela virou a cabeça e viu aquele Maybach preto parar na entrada do Instituto.
A porta do carro se abriu e Melissa saiu do banco do passageiro. Ela vestia um vestido rosa-claro, com os cabelos soltos, e trazia um leve sorriso no rosto.
Thiago desceu do banco do motorista, contornou a frente do carro, parou ao lado dela e disse algo em voz baixa. Melissa sorriu e concordou com a cabeça.
O olhar de Beatriz parou em Melissa por um instante. Ela ainda usava a mesma roupa de ontem e os acessórios também não tinham sido trocados. Beatriz sentiu um aperto no peito.
Ela tinha passado a noite na Mansão Monteiro, e Thiago também tinha ficado lá. O que aconteceu na noite passada era óbvio.
Ela não queria mais pensar nisso.
Beatriz soltou um leve suspiro, reprimindo aquelas emoções indevidas. A perturbação no seu rosto diminuiu. Aquilo já não tinha mais nada a ver com ela.
Mesmo que eles tivessem se embolado na cama da Mansão na noite passada, não tinha mais nada a ver com ela.
Quando ela se virou e estava prestes a entrar no laboratório, Thiago levantou a cabeça e a viu. O rosto dele escureceu. Ele disse algo para Melissa e caminhou rapidamente até Beatriz.
— Beatriz.
Beatriz parou de andar, virou-se e olhou para ele. Sua expressão era neutra, sem qualquer perturbação. Thiago franziu as sobrancelhas. — Você não viu as mensagens que te mandei?
— Acordei com pressa para me arrumar e não vi. — A voz de Beatriz soou neutra. — O que foi?
Thiago sentia-se frustrado e falou com um tom de questionamento: — Por que você retrucou a mãe ontem à noite? Sabe o quanto ela ficou irritada? Fiquei muito tempo tentando acalmá-la, pedi desculpas por você, e só então ela concordou em te perdoar.
Ouvindo aquilo, Beatriz só teve vontade de rir. Antes que ela pudesse dizer qualquer coisa, Thiago falou de novo.
— Eu disse a ela que você voltaria hoje à noite e compraria a bolsa que ela mais gosta para se desculpar.
A voz dele soou raramente gentil e paciente. — Esposa, afinal, foi você quem errou nisso. Eu já te ajudei a acalmar a nossa mãe, você só precisa pedir desculpas e pronto.
O olhar de Beatriz ficou frio no mesmo instante.
Então esse era o plano dele. Pedir desculpas, comprar bolsa, fazê-la feliz. Uma rotina tão bem ensaiada que parecia ter sido praticada inúmeras vezes.
Ela levantou a cabeça e olhou para Thiago. — Você vai pagar pela bolsa? Se eu não estiver enganada, essa bolsa deve ser bem cara, não?
Thiago suspirou, estendeu a mão para tentar pegar a mão dela, mas ela se esquivou de forma quase imperceptível. A mão dele parou no ar e, em seguida, ele a recolheu.
Seu tom de voz suavizou: — Claro que estou disposto a pagar. Você é minha esposa, é mais do que natural gastar o meu dinheiro. Mas neste caso, a mãe quer ver a sua sinceridade. Nisso, eu realmente não posso te ajudar.

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