Beatriz olhou para a mensagem de Thiago na tela do celular, sem nenhuma expressão no rosto. Ela sabia que Thiago já devia saber que ela tinha ido para o Instituto, por isso a mensagem chegou tão na hora.
Ela soltou um suspiro, não respondeu, guardou o celular e agiu como se não tivesse visto.
O carro saiu daquela rua e parou em frente a um grande edifício.
Beatriz levantou a cabeça e olhou. O prédio do Grupo Drumond tocava as nuvens, e as paredes de vidro refletiam luz sob o sol. Aquele era um lugar onde estrelas se reuniam. Antigamente, ela nunca imaginaria que um dia viria trabalhar num lugar assim.
O Assessor André abriu a porta. Ela curvou-se, saiu do carro, ficou parada na entrada e olhou para cima. Não sabia exatamente o que sentia.
— Dra. Vaz, por aqui. — O Assessor André ficou de lado, guiando o caminho com uma atitude respeitosa.
Ela concordou com a cabeça e o acompanhou para dentro.
O saguão era muito espaçoso. Algumas pessoas na recepção conversavam em voz baixa. Ao vê-la entrar, os olhares curiosos se voltaram em uníssono para ela, carregados de certo escrutínio.
Beatriz usava uma camisa branca simples e calças compridas pretas. No meio daquelas pessoas em trajes sociais completos, parecia um pouco deslocada.
Ela manteve o olhar fixo para a frente, não desviou, não foi nem submissa nem arrogante.
O Assessor André a guiou até os elevadores e apertou o botão do último andar.
A porta do elevador se fechou, isolando os olhares de fora.
O Assessor André manteve-se ao seu lado com uma postura respeitosa. Quando a porta se abriu, o corredor estava coberto por um tapete cinza-escuro.
O Assessor André parou em frente a uma porta e deu um leve sorriso. — Dra. Vaz, este é o escritório do nosso Sr. Drumond. Pode bater.
Beatriz concordou com a cabeça, caminhou até a porta e bateu duas vezes de leve.
— Entre. — Uma voz veio de dentro.
Beatriz soltou um suspiro, preparou-se mentalmente e abriu a porta para entrar.
Assim que abriu a porta, um aroma de cedro exalou. Ela se virou e fechou a porta silenciosamente.
Ao se virar, viu que o escritório era enorme. As janelas do chão ao teto ocupavam uma parede inteira. A luz do sol entrava, iluminando muito bem o interior da sala.
Maurício estava de pé em frente à janela, contra a luz. O terno preto bem cortado destacava sua silhueta alta e reta. Ao ouvir o barulho, ele virou a cabeça lentamente.
Aqueles olhos em formato de flor de pessegueiro continuavam com um pouco de sorriso, e os cantos de sua boca estavam levemente erguidos. Ele a olhou e sua voz continuou cheia de sedução: — Você chegou, Beatriz.
No instante em que seus olhos se encontraram, Beatriz sentiu-se um pouco atordoada.
Ele parecia demais com aquela pessoa. Mas ela sabia que não era ele. O rosto de Lorenzo tinha ferimentos. Aquele arranhão feito pelos arbustos da última vez ainda não tinha sarado completamente. Já o rosto de Maurício estava limpo, sem qualquer falha.
Ela rapidamente reprimiu aquele pensamento, caminhou até a frente da mesa e parou. Deu um sorriso educado. — Sr. Drumond.
Maurício virou-se, foi até trás da mesa e sentou-se. Com os dedos longos cruzados e apoiados na mesa, sua postura era relaxada. — A partir de hoje, você é a líder da equipe de pesquisa que contratei. Você deve liderar toda a equipe no progresso em conjunto.
Beatriz não teve pressa em concordar e falou lentamente: — Sr. Drumond, tenho um assunto para discutir com você.

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