Várias pessoas estavam trabalhando em suas estações e levantaram a cabeça ao ouvir o barulho.
O Assessor André bateu palmas, atraindo a atenção de todos. — Pessoal, esta é a nova Dra. Beatriz Vaz. A partir de hoje, ela será a líder de pesquisa de vocês, guiando a equipe nos próximos projetos.
Assim que ele parou de falar, o escritório ficou em silêncio por um momento.
Alguns se entreolharam. Uma mulher de jaleco branco colocou o tubo de ensaio na mesa e caminhou devagar na direção deles.
Ela aparentava ter pouco mais de trinta anos. Tinha os cabelos presos e um olhar afiado. Sua forma de avaliar Beatriz parecia a de alguém avaliando um produto com defeito.
— Dra. Vaz? — A voz dela era morna. — Do Instituto de Pesquisa da Capital?
Beatriz concordou com a cabeça. — Olá.
A mulher não se apresentou. Analisou-a de cima a baixo, olhou para o relógio na parede e criticou: — Você chegou atrasada. Atrasar-se no primeiro dia não é nos menosprezar demais? Mesmo sendo uma doutora do Instituto de Pesquisa da Capital, você deveria nos respeitar.
As outras pessoas no escritório abaixaram a cabeça, e ninguém a defendeu. O ar estava impregnado de uma hostilidade.
Beatriz olhou para ela e respondeu com firmeza, sem ser submissa nem arrogante: — O Assessor André me informou sobre o horário mais tarde. Não tive a intenção de desrespeitá-los.
A mulher se chamava Amanda. Amanda ficou sem reação diante daquela resposta firme e comedida, e a sua expressão não ficou boa.
Ela pegou uma grossa pilha de documentos em cima de uma mesa e colocou na frente de Beatriz. Seu rosto esfriou, sem dar a mínima consideração a Beatriz.
— Então comece a trabalhar agora. Organize esta pilha de documentos em vinte minutos. Vamos precisar disso logo mais.
Beatriz abaixou os olhos para olhar a pilha de documentos. Havia dezenas de páginas, repletas de dados e gráficos. Ela não se moveu.
Aqueles olhos fitaram Amanda sem piscar. O olhar era calmo.
Amanda sentiu-se um pouco incomodada por ser encarada, e a sua voz aumentou de volume involuntariamente, enquanto franzia a testa. — Por que está me olhando assim?
O tom de Beatriz não demonstrou qualquer desejo de agradar. — É o meu primeiro dia aqui. Eu deveria revisar esses documentos para me familiarizar com o andamento do trabalho de vocês. Mas você não deve falar comigo com esse tom. Não te devo nada.
Amanda ficou surpresa, visivelmente sem esperar que ela fosse tão direta.
O escritório ficou ainda mais silencioso. Várias pessoas levantaram as cabeças furtivamente para observar a cena. O rosto de Amanda alternou entre o vermelho e o branco, até que ela forçou um sorriso, embora o seu tom continuasse carregado de sarcasmo.
— Você me entendeu mal, né? Só estava te dizendo que esses documentos são muito importantes e pedindo para você os organizar rápido. Já que você é tão competente, é a única aqui que consegue organizá-los rápido. Nós não conseguimos.
— É isso aí. — Alguém ao lado concordou. — Dra. Vaz, não a entenda mal. A Mandi só tem boas intenções.
Beatriz olhou para o rosto sorridente de Amanda. Tinha tudo muito claro na mente.
Quando a malícia de alguém é tão palpável, é porque já atingiu um nível muito alto.
Ela não disse mais nada, pegou a pilha de documentos, virou-se e entrou no pequeno escritório interno.


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