Beatriz deu uma volta pelo laboratório, e, quanto mais via, mais complexo ficava o que sentia.
Os instrumentos e equipamentos ali eram os mais avançados. Alguns modelos ela só tinha visto em revistas acadêmicas. O antigo espectrômetro de massa do Instituto de Pesquisa da Capital parecia uma antiguidade do século passado em comparação com aquele.
Mas ao abrir o caderno de anotações dos experimentos na mesa, os dados estavam parados há três meses. No cronograma do projeto, várias anotações estavam com o status "pendente".
Ela parou em frente a um cromatógrafo líquido de alta eficiência. Seus dedos acariciaram suavemente a carcaça de metal. Se aquele equipamento pudesse ser levado para o Instituto, o projeto de Dona Regina, que estava travado há três anos, já teria ultrapassado a fase mais difícil.
A tecnologia dormia ali, enquanto aqueles que realmente precisavam dela lutavam em outro lugar. Ela retirou a mão, escreveu algumas linhas no caderno e suspirou.
Depois de fazer tudo isso, já era meio-dia.
O refeitório ficava no segundo andar, e das janelas do chão ao teto era possível ver a rua lá fora. Beatriz encontrou um lugar perto da janela e sentou-se. Assim que abriu a marmita, o celular tocou.
Era uma videochamada de Dona Regina. Ela atendeu e a tela mostrou o rosto familiar de Dona Regina, que trazia um pouco de preocupação. — Bia, já se adaptou? É fácil lidar com as pessoas daí?
Beatriz sorriu, ergueu o celular e girou lentamente, para que ela pudesse ver bem o ambiente ao redor.
— Fique tranquila, Dona Regina. Já me adaptei. Os equipamentos são muito avançados e o almoço também é bom.
Ela pausou e sua voz soou um pouco mais pesada. — Eu só estava pensando que, se pudéssemos levar a tecnologia daqui para o Instituto, conseguiríamos resolver um grande obstáculo naquele projeto.
Dona Regina olhou para ela com olhos cheios de afeto e sorriu. — Não precisa ter pressa. Continue estudando aí e aprenda todas as habilidades deles.
Beatriz assentiu. — Tá bem.
De repente, ela se lembrou de algo. — Dona Regina, já que não estou aí, você tem que se cuidar direito.
Dona Regina lançou-lhe um olhar de certa impotência, rindo e balançando a cabeça. — Você não vai voltar hoje à noite? Tem necessidade de ficar tão tensa?
Beatriz ficou surpresa por um instante e acabou rindo também.
Ela esteve tão ocupada durante a manhã toda que acabou se esquecendo de que só tinha ido trabalhar no Grupo Drumond e voltaria para a casa da Dona Regina à noite. — Eu me esqueci disso.
Ela sorriu, um pouco envergonhada.
Dona Regina também riu por causa dela. — Fique tranquila, eu vou me cuidar. Agora nós já temos o patrocínio que você conseguiu, e os novos equipamentos vão durar por um tempo. Apenas concentre-se no seu trabalho aí e não se preocupe comigo.
Beatriz balançou a cabeça devagar e abaixou a cabeça para comer uma colherada de comida. Dona Regina disse: — Vá comer. Quando você voltar à noite, a gente conversa direito.
— Tá bom. Tchau, Dona Regina. — Beatriz acenou para a tela e encerrou a chamada.
Assim que ela baixou o celular, a tela brilhou de novo. Thiago estava ligando de novo.
Dessa vez, fingir que não tinha visto não faria sentido.

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