POV Romeo
Fiz o desjejum na casa da minha mãe, junto de Rijonia, para discutir detalhes do casamento que, segundo elas, eram urgentíssimos, apesar de ainda faltarem vinte e oito dias para a cerimônia.
Minha mente, porém, continuava presa à mulher que deixei no quarto antes de ir ao banheiro e à desconhecida que encontrei quando saí.
Se era para ser um ménage, por que a primeira foi embora? E por que eu praticamente expulsei a segunda, que estava nua na minha cama?
Me critiquei por estar perdendo tempo pensando numa prostituta. Ao mesmo tempo, não tinha como não admitir que nunca na vida vi uma mulher se entregar daquela forma no sexo.
— Lust! — chamei, abrindo a porta. Ele sempre me ajudava na fuga.
Rijonia se agarrou à minha mãe quando o cachorro se aproximou latindo. Lust nunca tentou mordê-la. Mas sempre deixou bem claro que não gostava dela.
— Esse cachorro não vai para a nossa casa. — Rijonia ameaçou.
— É mais fácil eu não ir do que o Lust ficar de fora. — meu apego àquele dobermann era quase inexplicável.
Assobiei, indo em direção à porta. E ele veio atrás de mim.
— Ligue quando o divórcio for concretizado — minha mãe pediu. — Quero comemorar com uma festinha íntima. Podemos alegar para os convidados que é para brindarmos aos 28 dias que precedem o casamento.
Para minha mãe, qualquer coisa era motivo para comemorações íntimas ou festas grandiosas.
Passei no meu apartamento para trocar de roupa. Mesmo depois do banho, ainda sentia o cheiro daquela mulher impregnado na minha pele. E, irritantemente, era bom.
Liguei para Seo-Jun e André:
— Impossível não agradecer pela noite.
— A puta era de qualidade — Seo-Jun disse, orgulhoso.
— Escolhemos por catálogo — André completou. — Material de primeira.
— Valeu cada centavo. — deixei claro.
— E o seu pau gostou? — Seo-Jun provocou.
— Tanto que cansou.
— Não sabia que isso era possível. — riu.
— A puta era boa — André concluiu.
— Acontece que ela fugiu.
— Como assim? Pagamos pela noite inteira.
— Incluía café da manhã? — perguntei, curioso.
— Acho que fazia parte do pacote.
— Então entrem em contato. Se pagaram até o amanhecer e ela foi embora...
— É impressão minha ou você quer ver a prostituta de novo?
— Claro que não. Mas negócios são negócios. E ela não cumpriu sua parte.
— Temos direito a uma noite grátis — Seo-Jun decretou.
— “Temos”? — fingi não entender.
— Se ela é tão boa assim, quero experimentar também.
— Nem fodendo! — respondi, automático.
— Nosso amigo Romeo se perdeu nos cachos da morena.
Franzi o cenho:
— Cachos? Ela não tinha cachos.
— Vai dizer que não era morena também?
Parei de andar.
Lembrei da mulher alta, morena, de cabelos longos e cacheados, que apareceu na minha cama depois que a primeira foi embora.
— Vocês mandaram uma ou duas prostitutas? — questionei.
— Uma só.
Comi a mulher errada? Mas não fazia sentido. A loira entrou no meu quarto primeiro. Que porra aconteceu?
Lembrei do quarto à meia-luz, da voz dela, do sangue no lençol. A fodi tanto que ela sangrou.
Me remeti à forma como segurou o pingente da minha corrente entre os dentes, tentando proteger o próprio rosto da força com que eu me movia sobre ela.
Toquei o pescoço imediatamente:
— A filha da puta me roubou! — gritei, furioso — Encontro vocês em dez minutos no Hotel Califórnia.
Aquela corrente era o último presente do meu avô. O símbolo do legado da minha família.
“Esse brasão carrega o peso do nosso legado. Honrá-lo é sua responsabilidade. E a do filho que virá depois de você.”
E agora estava nas mãos de uma prostituta ladra.
O passado quis me revisitar numa lembrança borrada, que preferi ignorar.
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Os comentários dos leitores sobre o romance: O garoto de programa era o meu marido CEO