Ao entrarem no apartamento, Ivete pediu um pijama emprestado a Catarina e foi direto para o banheiro.
Enquanto observava os próprios cabelos ainda úmidos no espelho, a lembrança dos acontecimentos da noite trouxe de volta à sua mente aquele rosto frio e aristocrático.
Quando saiu, ainda envolta no vapor do banho quente, encontrou Catarina largada no sofá, mexendo no celular. A amiga levantou a cabeça e estalou a língua:
— Você realmente não pretende ficar, mesmo depois de tudo?
Ivete era jornalista. Extremamente profissional, dona de uma aparência marcante e fluente em inglês, francês e alemão, havia conquistado prestígio no círculo da imprensa internacional graças à sua insistência obstinada em buscar a verdade.
— Não. Verdejante não é pra mim. — respondeu, sem a menor hesitação.
Catarina se jogou contra o encosto do sofá, olhando para o teto:
— Sabe, sendo sincera, sobre o que aconteceu no passado... o Sr. Belmonte foi muito injustiçado. Ele, pessoalmente, não fez nada de errado.
Ivete abaixou a cabeça, interrompendo o que estava fazendo:
— Eu não o culpo pelo que aconteceu. Fui eu que não consegui conviver com aquilo.
Fez uma pausa antes de continuar:
— Além disso, eu nunca vou acreditar que meu pai seria capaz de cometer aquele tipo de traição.
Catarina se agarrou ao braço de Ivete, manhosa:
— Naquela época, foi você quem exigiu o fim do noivado. Depois virou as costas e foi embora sem olhar pra trás. Dez anos, Ivete. Dá vontade de arrancar o seu coração do peito só pra descobrir do que ele é feito... como você consegue ser tão dura?
— E eu agradeço todos os dias pela escolha que fiz. — respondeu Ivete com um leve sorriso.
Catarina a observava atentamente:
— Como foi encontrar o Estevão hoje... ou melhor, o seu ex-noivo? O que você sentiu?
— Paz absoluta. — afirmou Ivete, serena.
Catarina fez uma expressão de completo descrédito:
— Por favor, olha nos meus olhos e repete isso.
Ivete sustentou o olhar da amiga e declarou calmamente:

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