Liz
O leilão das joias já havia acabado. Cada joia é entregue para seus donos. A que eu usava é tirada e colocada em uma linda caixinha, sendo entregue ao dono. Depois, ficamos olhando o leilão das pinturas. O quadro que eu gostei é leiloado. Sabia que não poderia oferecer nenhum lance, mesmo o Bryan falando que poderia. Não iria usar o dinheiro dele. O quadro é arrematado por alguém desconhecido, por um valor bem acima do normal também. O evento continua. Resolvo ir ao banheiro. As meninas ficam conversando enquanto eu caminho até o toalete. Quando entro, escuto uma voz familiar me chamando.
— Olá! Liz, está gostando do leilão? E cadê seu acompanhante? Ah! É mesmo… kkk é o mesmo que o meu, né? Que pena que ele tenha vergonha de aparecer em público com você? — ela diz, me provocando.
Tento ignorá-la, retocando meu batom.
— Se ele é seu acompanhante, por que não vai ficar com ele, em vez de ficar aqui me provocando? — digo a ela, que se aproxima de mim com raiva.
— Quem você pensa que é, sua pobretinha? Acha que essas pessoas, quando souberem que uma garota tão simples usou aquele colar de esmeralda, vão pensar o quê? Que o colar está contaminado com sua pobreza? Kkk.
— Se você diz… — digo, tentando não cair em suas provocações.
— Liz, sabe por que ele não entrou com você? Ele não entrou com você porque nunca vai te assumir, nunca vai casar com você. Mulheres como você só servem como amantes… só para eles usarem…
Sinto meus olhos arderem. Ela não falava mentira. Realmente, ele tinha vergonha de mim, me tratava como amante. As palavras machucavam muito, mas não daria o gostinho para ela me ver arrasada.
— Posso até ser uma amante, mas você é o quê dele? Só alguém que ele usou para vir e depois descartar.
Ela se enfurece e vem para cima de mim. Ela tenta bater no meu rosto, mas eu seguro sua mão antes de me atingir.
— Você está doida! — grito, largando sua mão com força.
— Sua vadia! — ela grita com raiva.
Escuto passos pesados na porta. Então ele entra. Seus olhos sérios me olhando, sua aura poderosa tomando o espaço, e a Jéssica treme de medo ao vê-lo.
— O que está acontecendo aqui? — ele pergunta, olhando para mim.
— Sua acompanhante querendo me bater — digo, jogando em sua cara. Ela treme com medo do olhar dele.
— Você ousou levantar a mão para ela? — ele pergunta, grosso.
— Não… eu só… — ela gagueja, sem conseguir se explicar.
— Suma daqui. Se ousar tocar em um fio de cabelo dela! Eu juro que corto sua mão — diz sério, e ela corre do banheiro, nos deixando sozinhos.
Ele para e me olha. Seus olhos preocupados, querendo saber se eu estava bem. Mas aquelas palavras dela me machucaram mais que um tapa. Talvez porque eu soubesse que era verdade, que eu era só uma amante e que ele tinha vergonha de mim.
— Liz, você está bem? Vi que estava demorando e vim ver se estava tudo bem.
— Não tem medo que nos vejam aqui? — pergunto, brava.
— Por que diz isso? Por que teria vergonha de você?
— Kkk… usou até a Jéssica para entrar no evento, não ousou ficar ao meu lado… não tem vergonha mesmo?
Ele me olha preocupado, sua expressão séria. Então se aproxima de mim, diminuindo o espaço que nos separa, mas eu recuo, encostando na parede, até ele me pressionar nela. Seu corpo grande à minha frente, mostrando o quanto eu era pequena comparada com ele.
— Liz, eu não tenho vergonha de você. Só não quero te expor na mídia. Não quero que viva a loucura de não poder tomar um sorvete na rua sem ser reconhecida por alguém — ele explica, mas mesmo assim eu ainda sentia que ele não queria mostrar para todos que estávamos juntos.

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