Liz
Já estava tudo pronto para viajar. As bagagens já haviam sido levadas por uma funcionária.
Termino de arrumar meus cabelos em um coque. Hoje, estava vestindo um dos conjuntinhos bege de alfaiataria, composto de blazer e saia. Por baixo, uma camiseta branca de seda com uma leve abertura, deixando um pouco do meu colo à mostra. Usava um colar delicado e um conjunto de brincos que o Bryan havia me dado, e calço um tênis branco que estava até evitando usar por ainda estar com a etiqueta — custava uma fortuna.
Quando termino de me arrumar, olho no espelho tentando ainda achar aquela Liz de antigamente.
A convivência vai me mudando aos poucos, já me sinto diferente do que eu era há uns dois meses atrás. Em pouco tempo, minha vida mudou. Antes, não tinha nem o que comer, agora podia comer o que quisesse. Morava em um dos mais luxuosos hotéis da cidade.
Claro que sabia que nada disso me pertencia, e quando ele decidir que o contrato havia se encerrado, já não teria o que falar mais. Voltaria à minha vida antiga. Mas só em pensar sobre isso, sentia uma pontada no peito, uma dor insuportável que, só de pensar, meus olhos se enchiam de lágrimas.
— Liz, já está pronta? O senhor já está lá embaixo esperando — Elisa entra falando. Disfarço para ela não perceber minhas lágrimas, entrando no banheiro.
— Tá bom, Elisa, estou indo — digo, limpando uma lágrima que corria no meu rosto.
— Liz, você precisa ser forte. Ele não te pertence. Não se apaixone — repito mentalmente para mim mesma. Retoco a maquiagem onde a lágrima borrou e desço. Bryan já estava sentado me esperando para tomar café.
— Bom dia! Achei que tivesse que ir buscá-la, já que não descia — ele diz, sorrindo ao me ver entrando.
— Desculpa a demora —
— Tudo bem, venha, sente-se — ele diz, apontando para seu lado.
Me sento e tomo café junto com ele. Depois, nos despedimos da Elisa e descemos. O carro já nos aguardava. Entro, e ele entra sentando ao meu lado.
— Está feliz em voltar para sua cidade? — ele pergunta, olhando em meus olhos, me deixando tímida por olhar daquele jeito sexy que ele sempre fazia.
— Acho que estou, pelas meninas, em vê-las... mas o resto, não sinto nenhuma falta.
Ele sorri, se aproxima, pegando meu cinto e passando em mim. Sua mão toca minha cintura, me fazendo sentir choques pelo corpo.
Ele percebe meu nervosismo e sorri.
— Podemos ir, Xavier — ele fala, e o motorista começa a dirigir.
— E o senhor Alfredo? — pergunto, e ele sorri.
— Ele só dirige aqui mesmo. Por já ser mais velho, prefiro mantê-lo só como motorista aqui na cidade. O senhor Xavier já trabalha há alguns anos para nós, costuma viajar conosco.
— Entendi... achei que tinha dispensado de novo o senhor Alfredo.
Ele sorri vendo o quanto me preocupava com os funcionários dele.
Vamos conversando sobre lugares que eu gostaria de conhecer ainda. Ele pergunta sobre minha mãe e o que lembrava dela, mas eu não lembrava muito, já que tinha apenas 10 anos quando ela se foi, e as únicas fotos, minha madrasta havia jogado fora.
A viagem foi até rápida. Chegamos na cidade no horário do almoço. Bryan preferiu vir direto para o hotel. Almoçamos e ele teve que sair, me deixando aqui. Como estava me sentindo muito cansada, me deitei e dormi a tarde toda. Só acordo com meu telefone tocando.
Trin... Trin...
— Alô... — atendo sem nem ver quem era.
— Então é verdade, você está de volta? Papai quer ver você. Ele precisa falar com você urgente.
Escuto a Cristiana falar do outro lado da linha, com uma voz sarcástica, como se eu tivesse obrigação com ele.

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