Liz
Acordo com as lembranças amargas da traição de Bryan. Meu peito dói antes mesmo de eu abrir os olhos, como se meu coração já soubesse o que iria encontrar. Quando finalmente encaro o quarto, o vazio me atinge de uma vez. Ele não está ali.
Meus olhos se enchem de lágrimas.
Talvez ele não quisesse nem se despedir de mim.
Engulo seco, tentando ignorar o aperto no peito, até que meu olhar cai sobre a escrivaninha. Uma pasta preta. Imóvel. Fria. Como tudo o que restou dele.
Me levanto devagar, como se cada passo pesasse toneladas, e a pego nas mãos. Meu coração dispara sem que eu precise abrir. No fundo… eu já sei.
Mesmo assim, abro.
E, no instante em que vejo o conteúdo, meu mundo desaba.
Era o acordo...
O mesmo que assinei com ele.
O mesmo que dizia que, quando ele se enjoasse de mim… me deixaria partir.
Minhas mãos tremem. A respiração falha, sentia uma dor incontrolável.
Então era isso, sempre foi isso. Era assim que tudo terminava entre nós.
A dor cresce no meu peito de forma sufocante, quase insuportável de aguentar.
Como ele pode simplesmente terminar assim?
Sem uma palavra, sem olhar nos meus olhos.
Sem… nem ao menos fingir que eu significava algo para ele. Que dor eu sentia... deslizo, caindo no chão com a pasta em minhas mãos, enquanto as lágrimas escorriam dos meus olhos.
Mesmo sabendo que entre nós nunca poderia existir algo sério… eu achei… eu realmente achei que fosse diferente. Eu achei que ele poderia sentir algo por mim, mas vi que estava errada.
Começo a ler o termo de encerramento. Cada palavra parece uma facada no meu peito. A assinatura dele está ali, firme, forte, decidida… como se fosse apenas mais um negócio fechado que ele tinha acabado de encerrar, e ambas as partes saíram ganhando.
Ele com o meu corpo, e eu com o dinheiro...
Eu não podia mais entrar em contato com ele.
Eu devia esquecer tudo o que vivemos, como se fosse fácil, como se fosse possível apagar algo assim.
Como se eu não tivesse me perdido completamente nele.
Solto uma risada fraca, completamente sem humor, quando vejo o restante.
Uma casa.
Documentos.
Um cartão em meu nome.
Cinquenta milhões.
Fico encarando aquilo por alguns segundos, sem reação.
Então entendo.
Meu estômago embrulha.
_ Ele está me pagando pelas transas… — sussurro, com a voz falhando.
E muito bem, pelo jeito.
Uma lágrima escorre pelo meu rosto, silenciosa.
Sorrio… mas é um sorriso quebrado, vazio, que não chega nem perto dos meus olhos.
Eu fui comprada, desde o começo. Pior que sempre soube, mas não quis acreditar. E, no final… foi só isso que eu fui para ele: uma mercadoria, um brinquedo.
Sorrio para mim mesma, sentindo o peso da realidade me esmagar, e falo para mim mesma: eu fui boba. Mas agora precisava ser forte, precisava esquecê-lo. Mesmo sendo difícil, tinha que esquecê-lo.
Pego uma bolsa e coloco só minhas coisas. Não levaria nada, nem mesmo esse celular que ele me deu. Pego os números das meninas e anoto em uma folha. Olho para tudo, me despedindo. Então me arrumo e desço.

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