Alicia
Até que enfim chegamos ao Brasil, depois de muito tempo. Hoje nossos filhos vão conhecer o país da mamãe. Alex, Aline e Alice já estavam com dez meses, gordinhos e espertos. Aline, como sempre, chorava quando queria alguma coisa, enquanto Alice era boazinha. Até estranhava quando ela ficava brincando com os próprios pezinhos.
A viagem foi cansativa, mas já estávamos no apartamento. As babás levaram as crianças para dormir, enquanto eu precisava de um banho e de um bom descanso. Mesmo com todo aquele conforto, viajar era cansativo.
Bryan mal chegou e já foi para uma reunião. Amanhã será o casamento da Geovana. Ela adiou muito a cerimônia, esperando eu me recuperar e vir com as crianças. Quando perguntou se podia marcar o casamento e se eu viria, respondi imediatamente que iria sem falta.
Bryan já queria vir ao Brasil, e essa foi a melhor oportunidade, já que precisava deixar tudo na responsabilidade do Enzo.
Entro no meu quarto, lembrando de todos os momentos que passei ali com Bryan, de como vim parar em sua vida, de como foram meus dias naquele lugar. E juro, foram os melhores dias da minha vida. Todos os dias que estive com ele foram especiais.
Depois de tomar banho, me jogo naquela cama macia e lembro das vezes em que fizemos amor ali. Até parecia que tinha sido ontem, mas já fazia mais de um ano. Acabo dormindo profundamente.
Quando acordo, já descansada, desço para procurar Elizabete. Desde que cheguei ainda não a tinha visto e estava morrendo de saudades.
— Olá...
Eliza se vira ao ouvir minha voz.
— Senhora! Quanto tempo! Menina, você está ainda mais linda. Saí para comprar algumas coisas e soube que havia chegado e ido descansar. Como está, Liz?
Ela pergunta emocionada por me ver.
— Estou bem, Eliza. Vem aqui me dar um abraço.
Ela deixa o que segurava sobre a bancada e vem me abraçar.
— Que saudades, Liz! Esse tempo sem vocês aqui deixou a casa tão solitária. Prometa que vão ficar aqui.
Ela pergunta, e eu sorrio.
— Não depende de mim, Eliza. Bryan agora assumiu as empresas da família. Ele precisa estar lá também. Mas prometemos que vamos vir sempre que der. Sempre que for possível, estaremos aqui para que nossos filhos também conheçam o Brasil.
Ela sorri feliz.
— Eles são tão lindos também. Como não seriam, com você e o senhor Bryan, não é mesmo?
Ela diz rindo.
— Eliza, você precisa ver como eles já estão espertos. E o pior é o Alex, igualzinho ao pai. Depois vem a Aline. Essa me deixa louca! Ela já sabe fazer nós dois cedermos tudo o que ela quer.
Ela ri comigo.
— E a outra? Vi que tem uma que é bem quietinha, né?
— Ah, sim... a Alice. Alice é um amorzinho. Quase não reclama. Ela só quer saber de mamar e dormir. É muito difícil ouvir o chorinho dela.
— Nossa, que diferença, né? Elas são muito parecidas. Como consegue saber quem é quem?
— Eliza, não me pergunte isso.
Respondo rindo.
— Eu simplesmente sei! Todo mundo faz essa mesma pergunta. Mas, para mim, elas têm personalidades diferentes. Não sei explicar.
Ela sorri.
— Venha. Acho que eles já devem estar acordados. Vamos vê-los.
Ela olha para a panela no fogo.
— Mas...
— Depois eu te ajudo. Vem.
Ela me acompanha até o quarto dos bebês.
Eles estavam sentadinhos no tapetinho próprio para crianças, cercados de brinquedos, enquanto cada babá cuidava de um.
— Meninas, esta é a Eliza, nossa governanta e também parte da família.
As babás a cumprimentam educadamente.
— Que fofinho está o Alex, Liz. Seus filhos são muito lindos.
— Obrigada, Eliza.
Vou até Alex e o pego no colo. Ele me olha, me reconhece e sorri, colocando as mãozinhas em mim.
— Oi, meu lindo. Já estava com saudades, né?
Beijo aquela bochechinha fofa.
— Olha ali, é a titia Eliza.
Mostro para ele, que sorri.
Levo-o até ela e a deixo segurá-lo por um momento. Ela fica toda sem jeito, mas pega Alex, que reclama um pouco por ter saído do meu colo.
Vou até Alice, que estava quietinha brincando.

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