Zaid aproveitou para ir ao restaurante com os amigos, Samyr e Yasin. Eles estavam conversando sobre alguns acontecimentos quando Samyr comentou que logo iria se casar novamente. Seu pai havia arranjado outra noiva e ele iria amanhã conhecer os pais de sua futura esposa.
— Samyr, você já tem uma esposa. O que ela disse sobre esse casamento? — Yasin perguntou, já que também tinha uma esposa e seus pais queriam que ele se casasse com mais uma.
— Ela não concorda e disse que, se eu me casar, vai pedir a separação. Mas temos um filho. Ela não terá coragem, já que nunca mais poderá vê-lo. — Samyr disse confiante.
— Entendo. Ela será obrigada a aceitar. Meus pais querem que eu me case de novo, mas a Maya não vai aceitar. — Yasin disse, preocupado com a opinião de sua esposa.
— Acho que você não deveria se casar de novo. Você não ama sua esposa? Então por que casar novamente? Não concordo com isso. Acho que todos deveriam ter apenas uma pessoa. E, se um dia não der certo, que se separem, mas continuem sendo bons pais para os filhos. Por isso nunca quis me casar. — Zaid disse friamente, discordando da tradição que permite aos homens terem mais de uma esposa. Para ele, nunca seria justo. Por mais que um homem tentasse dividir seu tempo, uma delas sempre acabaria sofrendo.
— Entendo, Zaid. Sua mãe sofreu muito com seu pai, não é? Por isso você não concorda com outros casamentos. Mas, em alguns casos, pode dar certo, amigo. Seu pai não soube administrar todas. — Samyr comentou.
— Então se coloque no lugar de uma delas, Samyr. Imagine se você fosse uma mulher e o homem que você tanto ama e em quem confia resolvesse se casar com outra. Enquanto você o espera em casa, ele estaria nos braços de outra mulher. Como acha que elas se sentem? Como você acha que nossas mães se sentiram? Eu não acredito que um homem consiga amar duas mulheres da mesma forma, assim como uma mulher também não conseguiria amar dois homens igualmente.
Seus amigos escutaram Zaid com atenção e, por um lado, concordavam. Porém, gostavam da vantagem de poder ter mais mulheres, e isso era algo que Zaid jamais conseguiria mudar. Essa tradição vinha de muitas gerações, algo herdado dos antepassados. Acreditava-se que uma família com muitas esposas era abençoada por Allah, com harmonia e muitos filhos.
— Zaid, você não quer mulher nenhuma. — Samyr riu, e Yasin também.
— Vou me casar também. — Ele respondeu, fazendo os amigos ficarem em choque.
— Está nos zoando, Zaid? — Yasin perguntou, rindo, sem acreditar.
— Realmente. Vou me casar o mais rápido possível. Logo conhecerão minha esposinha.
Zaid disse isso lembrando da Bellucci. Dos olhos quentes dela. Ele não sabia explicar, mas ultimamente não parava de pensar nela. Era diferente do dia em que a conheceu, quando não havia sentido nada. Parecia outra pessoa, completamente diferente daquela que estava com as bebidas alcoólicas.
— Zaid, vai se casar com a Safira? — Samyr perguntou curioso, já que todos sabiam que ela sempre foi uma grande pretendente desde que eram crianças.
— Não... Safira não é mulher para mim, Samyr.
— Por quê? Ela é linda. Seus pais são amigos há muitos anos. Vai deixá-la para seu irmão? — Yasin perguntou.
— Ela não se casaria com ele. Ele já tem muitas esposas. Os pais dela nunca permitiriam. Eu vou me casar com uma italiana.
Os dois amigos ficaram em choque.
— Não acredito, Zaid!
— A filha do senhor Bellucci. Ela será um bom partido. — Ele respondeu, e os dois se entreolharam.
— Tenho certeza de que ela é linda. Mas sabe que essas mulheres estrangeiras não costumam ser boas esposas. — Samyr comentou, preocupado.
— Não quero uma boa esposa, Samyr. Quero uma companheira. Alguém com quem eu possa conversar sobre tudo, alguém que me entenda e me ame.
— E como sabe que será com ela?
— Não sei. Mas esse casamento veio em ótima hora. Vou usá-lo para ganhar poder. Recuperarei o que é meu e de minha mãe por direito. Depois penso melhor no casamento. Com ela poderei me separar e cada um seguirá sua vida, não é mesmo? — respondeu friamente.
— Entendo. Então só vai se casar agora por causa das chantagens do seu pai, certo? — Samyr concluiu.
— Sim...
— Entendo, Zaid. — Yasin disse, preocupado com o amigo.

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