Zaid acorda com o telefone tocando. Ele se levanta com cuidado para não acordar Alice e vai até o banheiro atender.
— Pode dizer, Omar.
— Senhor, precisa retornar com urgência...
Ele fica em silêncio.
— Por quê? Diga logo, Omar.
— Sua mãe sofreu um acidente. Escorregou e está com a perna enfaixada.
— Um acidente? Tem certeza de que foi um acidente? Não mandei vigiá-la?
— Sim, senhor, mas nos aposentos do seu pai não tínhamos como entrar. Ela entrou e, quando saiu, as empregadas a levaram, dizendo que ela havia escorregado no banheiro.
Zaid dá um soco na parede do banheiro, tomado pela raiva. Sua mão começa a sangrar.
Ele sabia muito bem o que deveria ter acontecido.
Aquele demônio deveria ter batido nela novamente.
— Como ela está? — pergunta, com a voz carregada de preocupação.
Alice acorda assustada ao escutar um barulho alto. Ela caminha até o banheiro e escuta Zaid xingando alguém. Sente medo e volta para a cama, pegando o celular para ver como estavam sua mãe, sua irmã e os recém-casados, já que eles provavelmente já deveriam ter viajado.
— Ela está sob os cuidados de Zuleide e das empregadas, mas o nosso médico de confiança já veio. Ele disse que ficará com o pé enfaixado e receitou remédios para a dor. Também disse que esses hematomas são sinais de uma agressão, senhor.
— Entendo. Vou providenciar para estar aí amanhã mesmo.
— Ok.
Ele desliga o celular tomado pelo ódio e pela revolta. Sabia que logo não poderia mais ficar ali com Alice. Não deixaria aquele homem matar sua mãe.
Zaid fecha o punho com tanta força que o sangue começa a pingar no chão. Então entra no chuveiro e deixa a água gelada cair sobre sua cabeça.
Precisava se acalmar.
Alice estava ali fora, e ele não queria assustá-la.
Alice recebe mensagens das amigas, chamando-a para tomar sorvete.
— Já acordou?
A voz grossa de Zaid a assusta.
— Que susto...
— Desculpe por ter te assustado. Que bom que acordou.
Alice olha para a mão dele, enrolada em uma toalha.
— O que houve com a sua mão?
— Ah... Isso? Eu me machuquei sem querer. Não é nada sério.
Mas ela vê o vermelho do sangue manchando a toalha branca.
— Você tem que olhar isso. Não parece ser só um machucadinho.
Zaid olha para ela.
Alice era tão linda.
Seus cabelos dourados e desalinhados, aquela pele macia e sedosa, aqueles olhos cor de esmeraldas, carregando um mistério sem fim...
Ela conseguia deixá-lo completamente desnorteado.
— Prometo que vou cuidar disso. Não se preocupe.
— Tudo bem... Ah, eu ia dizer que hoje vou tomar sorvete com minhas amigas e depois vou visitar a minha família.
Alice diz, avisando-o.
Zaid não podia impedir, já que queria viajar no dia seguinte.
— Entendo. É melhor mesmo, já que voltaremos amanhã.
Alice arregala os olhos.
— Mas já? — pergunta, chateada.
— Eu sei que você ainda não quer ir. Eu ficaria mais um pouco, mas a minha mãe sofreu um acidente.
— O quê? A senhora Naid se machucou? Como ela está? Ela está bem?
— Calma. Ela já está bem, mas fraturou uma perna e ficará com ela enfaixada. Preciso voltar para cuidar dela.
— Entendo... Como ela se machucou?
Alice pergunta, e Zaid fica sem saber o que dizer.
Como falaria que suspeitava que tivesse sido seu próprio pai?
— Disseram que ela caiu, mas, por isso, preciso voltar para saber realmente o que aconteceu.
Alice percebe que havia algo mais, mas que ele não queria contar. Então, passou a suspeitar que Amira poderia ter alguma ligação com aquilo e resolveu não se intrometer mais.
— Entendo. Tudo bem, vamos voltar amanhã. Sua mãe não deve ficar sozinha assim.
Zaid olha para ela, admirado.
Alice estava concordando em voltar e ainda demonstrava preocupação com sua mãe.
Aquilo o deixou muito feliz.
Alice se levanta, pega suas coisas e entra no banheiro para tomar banho, enquanto Zaid vai até a cozinha e prepara o café. Ele arruma a mesa com bolos e pães que havia providenciado pelo serviço de quarto.
— Já fez o café? — ela pergunta, olhando tudo sobre a mesa.
— Venha, sente-se, Ali. Vamos tomar café.
— Obrigada.
Eles tomam café juntos.
Alice observava Zaid, admirando-o. Até aquele momento, ele havia mostrado a ela o quanto era um homem bom. Com todos os seus cuidados e preocupações, mesmo sendo extremamente ciumento, Zaid era um marido dos sonhos.

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