Liz
Corro pelos corredores desesperada. Tinha a sensação de que ele estava atrás de mim. Deixei todas as minhas coisas lá.
— Ei… garota, por que tá correndo? — um dos amigos da Bruna pergunta. Tento lembrar o nome dele, mas na hora não vem.
— Me ajuda… um cara tá lá no vestiário masculino e queria… — tento respirar, mas minha voz sai trêmula…
— Calma. Você estava fazendo o quê no vestiário masculino? — ele pergunta, achando estranho.
— Me mandaram limpar lá. Só estava obedecendo às ordens da Valéria — digo, brava.
— Hum… você arrumou intriga com alguém para te colocarem nessa área? Porque o vestiário masculino geralmente são os homens que limpam lá — ele diz, sério.
— Não sei… sei que limpei lá como me mandaram, e um homem apareceu e começou a falar um monte de coisas para mim. Peguei a vassoura e bati nele, então corri — consigo dizer, e ele me olha sério.
— Você bateu nele? Garota, acho que armaram para você. É melhor tomar cuidado aqui — ele avisa. — Não mexa com pessoas poderosas. Espero que você não tenha batido em alguém importante.
— Mesmo que seja, ele não tem o direito de me obrigar! Quem ele acha que é? — digo nervosa. — Vou agora denunciá-lo.
— É melhor você pensar bem. Se ele for alguém poderoso, não vai acontecer nada com ele, e você será mandada embora.
— Então que seja! Se me mandarem embora, é porque essa empresa não protege seus funcionários. Pra que vou ficar em um lugar desses?
Ele sorri e me acompanha até a sala do senhor Guilherme Santos.
— Bom, te acompanhei até aqui. Boa sorte.
Sorrio de leve e bato na porta.
— Pode entrar — alguém fala lá de dentro. Era uma voz masculina e grossa.
Entro na sala e vejo o senhor sentado, mexendo em alguns papéis importantes.
— O que deseja? Já acabou seu expediente? — ele me olha curioso, mas um pouco grosso.
Me aproximo da mesa.
— Bom, meu nome é Liz. Me mandaram limpar os banheiros — falo, e ele me olha como se quisesse zombar, já que sou faxineira, e banheiro faz parte da limpeza.
— Não estou reclamando disso, mas sim de terem me colocado para limpar o vestiário masculino. Um engraçadinho faltou com respeito comigo lá. Se não fosse eu ter batido nele com o cabo da vassoura e corrido, nem sei o que teria acontecido comigo — digo, brava e nervosa.
Ele me olha sério, parecia preocupado.
— Quem foi esse funcionário? — pergunta.
— Não sei o nome, mas se eu ver, com certeza vou reconhecer. Mas ele alegou que era primo da senhora Juliana.
Quando digo “primo”, ele arregala os olhos.
— O primo… Senhorita Liz, tem certeza de que isso aconteceu mesmo? Podemos conversar com calma. Chamarei ele aqui, e vocês podem se entender melhor, o que acha?
— Não tenho nada para falar com aquele estuprador! Porque é isso que ele é. Imagina se ele tivesse feito algo comigo…
— Senhorita, mas ele não fez nada. Se acalme e vamos conversar.
— Então é isso? Vocês não vão fazer nada com esse sujeito? — digo, revoltada.
— Senhorita, não queremos problemas aqui, não é mesmo? Vamos fazer assim: vou chamá-lo e conversar. Você vá para casa, se acalme, e amanhã resolvemos.
Olho com raiva, mas resolvo aceitar. Não podia fazer nada naquele momento.

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