Matteo:
— Venha, Matteo. Está na hora.
O gosto amargo de suas palavras me atingiu. Alessandro sempre dissera que me protegeria, mas, naquele instante, eu soube que algo estava prestes a mudar.
— Hora do quê? — perguntei, minha voz baixa, quase inaudível.
— Hora de saber a verdade. Era isso o que você estava buscando, não era? — Ele me lançou um olhar penetrante, e percebi que eu não tinha escapatória. — Você é um homem agora, Matteo. É hora de entender os negócios da família.
Caminhamos lado a lado por um longo corredor de pedras, até que ele abriu uma porta secreta escondida atrás de uma estante de livros. Descemos três lances de escada, e, à medida que a temperatura e a luz diminuíam, uma sensação de desconforto se intensificava dentro de mim. Eu sabia estarmos entrando em uma parte da mansão que eu nunca havia visto antes.
Entramos em uma sala escura, onde alguns dos homens de Alessandro já estavam reunidos. Eu os conhecia de vista, homens sombrios que vigiavam a propriedade dia e noite. Mas, naquele momento, havia algo diferente em suas expressões. Eles estavam sérios, atentos, como se esperassem algo importante. Aquela era a Blackwood, e suas expressões eram sombrias por minha causa.
Paramos diante de uma cela de pedra, onde uma figura encurvada e ensanguentada tentava, em vão, se erguer. A curiosidade venceu, e me aproximei das barras para olhar melhor. Lá dentro, um homem espancado e mutilado me encarava com um olhar vazio. Ele estava coberto de cortes, contusões, e um dos olhos estava inchado, quase fechado. Quando tentou falar, nada saiu, e eu percebi, com um calafrio, que haviam cortado sua língua.
Fiquei petrificado, olhando para aquele homem, incapaz de processar o que estava diante de mim. O homem que eu chamava de tio, que eu considerava como um pai, era o responsável por aquilo.
Alessandro, percebendo meu choque, falou com uma voz dura e sem emoção:
— Está vendo este homem?
— Sim… — sussurrei, meu corpo tremendo. O que estava acontecendo ali?
Ele apontou para o homem ajoelhado, que agora tremia ainda mais, em uma súplica muda.
— Esse homem traiu nossa família, Matteo. Ele escolheu a si próprio em vez da irmandade. É um rato. Um traidor. E como eu disse, farei o que for necessário para proteger esta família.
Antes que eu pudesse responder, Alessandro sacou uma arma de dentro do casaco e, com um movimento rápido, disparou contra a cabeça do homem.
O corpo caiu com um baque seco, o sangue espirrando na parede atrás dele.
Eu ofeguei, tentando prender a voz que ameaçava escapar da minha garganta. Medo, confusão e desespero inundaram meu peito. Como Alessandro podia simplesmente… matar alguém assim? Eu mal conseguia entender o que tinha acabado de acontecer. A Blackwood sempre fora um conceito distante para mim, algo que nunca poderia tocar a minha vida. Mas ali estava ela, brutal e impiedosa, diante dos meus olhos.
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