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O Preço da Tentação romance Capítulo 480

Sérgio percebeu o pânico nos olhos dela e soltou um riso frio.

— Estou verificando como está o seu ferimento. O médico disse que já está na hora de trocar o curativo. Você acha que eu vou fazer o quê?

Ela ficou um pouco sem graça.

Depois de uma breve pausa, ela tentou se justificar, endurecendo o tom:

— Eu... Claro que sei que você só quer ver como está o ferimento.

— Ah é? — Sérgio arqueou uma sobrancelha, com um leve deboche no olhar.

O jeito como ele a encarava fez Isabela se sentir desconfortável.

A expressão dele deixava claro que achava que ela estava se achando demais.

Isabela pigarreou e levantou o queixo, tentando recuperar um pouco da compostura:

— Essas coisas de trocar curativo... É melhor deixar para o médico, não acha?

— Médico? — Sérgio soltou um sorriso breve. — Pergunta para ele se ele tem coragem de fazer isso.

Isabela ficou sem reação por um momento, só então se deu conta de que estava no território de Sérgio.

O médico podia até ter tirado a bala, mas para trocar o curativo... Dificilmente se arriscaria.

Afinal, naquele momento ela estava com o título de “mulher de Sérgio”, ninguém faria nada que o desagradasse.

Ela apenas murmurou um “tá bom” e apertou os lábios, resignada.

Como prezava a própria vida, acabou soltando o lençol que segurava.

Sérgio lançou um olhar de lado, satisfeito por ela saber o próprio lugar.

Então ele se sentou ao lado e começou a desabotoar a roupa dela.

O ombro, coberto por camadas de gaze, logo ficou à mostra.

O ferimento não era fatal, mas a dor estava longe de ser leve.

Quando Sérgio retirou a última camada de gaze, Isabela suava frio de tanta dor, soltando um gemido abafado enquanto mordia o lábio.

Sérgio a olhou de soslaio e, então, suavizou um pouco os movimentos.

Mesmo assim, o tecido grudado na pele fazia cada movimento arder. Por mais cuidadoso que ele estivesse sendo, o rosto de Isabela ainda empalideceu de tanta dor, e ela franziu levemente o cenho.

A pele de Isabela sempre foi impecável, ela adorava usar blusas de alças finas que deixavam os ombros à mostra, revelando aquele tom branco e suave que tinha um toque naturalmente sedutor.

Naquele momento, aquele mesmo ombro estava coberto de sangue e feridas abertas.

O olhar de Sérgio se aprofundou, e ele se virou para pegar a caixa de primeiros socorros sobre a mesa.

— Se doer, pode gritar. — Disse ele, com a voz baixa.

Isabela suspirou, impotente:

— Mas eu realmente não estou com fome.

Sérgio a observou com os olhos semicerrados, ele ficou em silêncio por um momento e então fez um gesto para que os empregados colocassem a comida sobre a mesa.

Ele pegou uma tigela de canja e se sentou ao lado da cama de Isabela.

As mãos dele eram grandes, a tigela parecia pequena nelas.

Com uma colher, ele pegou um pouco e aproximou da boca de Isabela.

Não disse nada, mas o olhar dele deixava claro que não aceitava um “não” como resposta.

Isabela repetiu, num tom cansado:

— Eu juro, não estou com fome.

— Ou talvez você prefira que eu te alimente de outro jeito?

Sérgio passou levemente a colher na borda da tigela, o som da porcelana se espalhando suave pelo quarto.

Ele falou num tom calmo, até gentil, mas Isabela sabia bem que o “outro jeito” do qual ele falava certamente seria bem mais ousado do que aquele.

Sem querer, a mente dela se encheu de imagens que a fizeram corar.

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