— Afinal, foi feito sob medida para mim no passado, e fui eu quem escolheu.
O rosto de Glória empalideceu. Ela encarava as costas de Bianca se distanciando, apertando as mãos com tanta força que o anel de diamante, desajustado em seu dedo, machucava a palma de sua mão.
Felipe, a posição de Jovem Senhora Amaral, um futuro de glória infinita... Tudo isso deveria ser dela desde seis anos atrás.
A culpa era de sua própria imaturidade e visão limitada na época. Deixou-se levar pelas falsas promessas da mãe e do padrasto, acreditando que do outro lado do oceano haveria um futuro melhor.
No fim, os negócios do padrasto despencaram. Ela sobreviveu por alguns anos e, além da habilidade de bajular os outros, não conquistou absolutamente nada de concreto.
Em vez disso, teve que assistir Bianca ocupar o lugar que antes era seu, desfrutando de tudo que lhe pertencia por direito.
Ela não conseguia aceitar isso.
Por isso, retornou e planejou meticulosamente o reencontro. E, como esperado, Felipe ainda a guardava no coração.
Afinal, os homens sempre guardam uma lembrança inesquecível do primeiro amor não correspondido da juventude.
Glória respirou fundo, reprimindo a irritação em seu peito, e vestiu novamente um sorriso doce e impecável.
Não importava se o tamanho do anel não servia. O que ela almejava não era o amor de Felipe, mas sim o poder e a influência da Família Amaral.
Ao meio-dia, no refeitório dos funcionários.
Glória estava cercada por alguns colegas que tentavam bajulá-la. Desfrutando da sensação de ser o centro das atenções, escolheu de propósito uma mesa na diagonal de onde Bianca estava.
— Glória, esse seu anel de diamante brilha demais. Foi o Senhor Amaral quem deu, né? Quantos quilates tem?
Glória levantou a mão sutilmente, permitindo que o diamante refletisse uma luz ainda mais deslumbrante.
— Foi ele quem escolheu. Na verdade, eu achei um pouco extravagante, mas ele disse que o anel de noivado precisava ser o melhor.
Ela fez uma pausa.
— Ele me disse que só assim estaria à altura do nosso destino, que finalmente nos uniu de novo.
— Dos tempos de escola até o altar, isso é tão romântico. — Outra colega fez coro. — O Senhor Amaral tem um carinho imenso por você.
Glória apenas sorriu sem dizer nada, lançando um olhar de soslaio para Bianca, que comia sozinha na mesa em diagonal.
Bianca vestia um suéter de tricô bege com gola alta. Estava concentrada em seu celular, aparentemente alheia a toda a comoção ao redor.
— Picada de mosquito.
— Mosquito? — Glória cobriu a boca, soltando um risinho leve. — Não me parece muito com isso... Não seria um chupão?
O ambiente ao redor mergulhou em um silêncio instantâneo. Vários olhares repletos de curiosidade se voltaram para elas imediatamente.
Desde que entrou na empresa, Bianca era conhecida por ser uma mulher inalcançável: linda e extremamente competente, mas com uma vida pessoal discreta. Quase nunca se ouvia falar de qualquer aproximação com homens.
Aparecer com um chupão assim, do nada, era o tipo de fofoca que incendiava o escritório.
Bianca observou a pontada de triunfo e provocação que Glória não conseguia disfarçar no olhar e achou tudo aquilo um tanto entediante.
Apenas Glória se divertia com joguinhos tão baixos.
— A Senhorita Sampaio tem tanto interesse assim na vida pessoal alheia?
— Eu só estou preocupada com você. — Glória piscou, com um sorriso inocente.
— A Bianca está namorando, não é? O que ele faz da vida? Quando vai apresentar ele para a gente?

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