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O Preço do Amor romance Capítulo 23

O pai dele tinha se casado?

Quando isso aconteceu? Como ele não tinha escutado nem um boato sequer?

— Vó, o meu pai se casou? — a voz de Felipe saiu seca, o coração acelerando descontroladamente.

— Ué, ele não te contou? — Dona Amaral franziu a testa. — O Marcelo está perdendo o juízo. Como ele ousa se casar, um evento dessa magnitude, e não avisar o próprio filho? Que absurdo!

A mente de Felipe zumbia, impedindo-o de ouvir o resto das reclamações da avó.

Marcelo estava casado.

Ao longo dos anos, Marcelo sempre tratou as mulheres com frieza, rejeitando inúmeras investidas de herdeiras famosas e recusando todos os encontros arranjados pela avó.

Felipe sempre presumiu que seu pai adotivo simplesmente não gostasse de mulheres.

E de repente ele havia se casado, assim, na surdina?

Com quem?

Mais importante ainda: se Marcelo estava casado, isso significava que ele poderia ter os próprios filhos em breve.

E, assim que Marcelo tivesse um herdeiro biológico, sua posição como filho adotivo se tornaria insustentável.

Quando esse dia chegasse, ele deixaria de ser o único neto. Será que a avó continuaria a mimá-lo como agora?

Ainda haveria alguma parte da fortuna da Família Amaral para ele?

Um frio congelante subiu pelos pés.

— Vó — ele forçou um sorriso, tentando conter o pânico arrebatador em seu peito —, quando foi que o meu pai se casou? Eu não fiquei sabendo de nada.

— Há poucos dias. — Dona Amaral ainda estava irritada, e seu tom não era dos melhores.

Ao sair da mansão, o sorriso no rosto de Felipe desapareceu por completo.

Ele pegou o celular e, pela primeira vez, sentiu irritação ao ler as mensagens carinhosas enviadas por Glória.

A intenção inicial era pedir o apoio da avó para garantir seu casamento com ela.

Agora, o surgimento repentino de uma madrasta virou todos os seus planos de cabeça para baixo.

— Para a empresa do Senhor Amaral — ordenou ele ao motorista.

Urbanismo Vanguarda, escritório do CEO no último andar.

— As suas decisões são problema seu, não me pergunte nada — Marcelo franziu a testa, impaciente.

— Mas lá com a avó...

— Senhor Amaral, é hora da reunião — Alan abriu a porta, interrompendo a conversa.

— Vá embora — disse Marcelo a Felipe.

Dito isso, levantou-se, pegou o paletó que repousava no encosto da cadeira e caminhou em direção à porta, sem lançar mais nenhum olhar ao filho.

Alan fez um gesto indicando a saída a Felipe, de maneira cortês, mas distante.

Felipe forçou um sorriso rígido, virou as costas e deixou o escritório.

Oito da noite, numa luxuosa casa de chá exclusiva no centro de São João.

O interior do ambiente era perfumado por um leve incenso de cedro, e o vapor do chá rodopiava no ar.

Quando Marcelo chegou, já havia umas quatro ou cinco pessoas acomodadas no local; todos amigos de longa data.

Entre eles havia médicos, políticos e empresários como ele. Todos possuíam históricos familiares semelhantes, destacavam-se em suas próprias áreas e raramente conseguiam tempo para se reunir.

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