Dona Amaral prosseguiu:
— Fazer uma cirurgia é algo sério e você não deu uma palavra! Se a Talita não tivesse me contado, planejava esconder isso de mim para o resto da vida?
Só então Bianca soltou a respiração, aliviada.
Marcelo caminhou até a janela panorâmica, desviando o olhar de Bianca.
— Foi uma cirurgia pequena, nada grave. Não queria que a senhora se preocupasse.
— Cirurgia pequena? Remoção de um pólipo na vesícula, e a ferida ainda infeccionou! Marcelo, você por acaso me considera sua mãe? — O tom de voz de Dona Amaral subiu.
Marcelo ficou em silêncio por dois segundos:
— Isso não voltará a acontecer.
— Não voltará? Ainda está pensando numa próxima vez?
Dona Amaral ficou furiosa.
— Amanhã à noite, traga a sua esposa para jantar na mansão da família. Quero ver com os meus próprios olhos se você se recuperou bem. A Talita e o Rodrigo também virão com o Davi. Também chamei o Felipe. Vamos ter um jantar em família.
Marcelo franziu o cenho de leve:
— O Felipe também vai?
— O quê? Por acaso ele não faz parte desta família? Está decidido. Lembrem-se de vir amanhã.
Depois de dar a ordem, Dona Amaral desligou o telefone, mantendo a mesma firmeza e pulso forte da juventude.
Marcelo apertou a ponte do nariz e, ao se virar, viu Bianca o encarando com um olhar levemente tenso.
— Era a sua mãe? — perguntou Bianca.
— Sim. — Marcelo aproximou-se dela novamente. — Minha mãe quer que jantemos na mansão da família amanhã. A família da minha irmã vai estar lá, e... o Felipe também.
O coração de Bianca falhou uma batida, e os seus dedos se curvaram inconscientemente.
Felipe ainda não sabia do casamento dela com Marcelo.
Pensar na cena do Felipe a chamando de "Tia" num jantar em família amanhã...
Por mais que ela tivesse ansiado por um dia como aquele no passado, agora a ideia a deixava de cabelo em pé.
A princípio, tinha certa expectativa de que esse dia chegasse, mas agora que estava prestes a acontecer, a tensão dominou tudo.
Dona Amaral ainda não havia acordado da sesta.
O marido de Talita, Rodrigo Rocha, estava na sala de chá atendendo ao telefone.
Talita estava no quintal, observando o seu filho, Davi, brincar de correr atrás de um samoieda felpudo e inteiramente branco.
— Tio Marcelo! — Assim que viu Marcelo, Davi correu na direção dele e agarrou-se às suas pernas, erguendo o rostinho curioso: — Tio, o seu machucado ainda está doendo?
As feições frias de Marcelo suavizaram-se. Ele se abaixou para pegá-lo no colo:
— Já não dói mais. Sentiu saudade do tio?
— Muita! — Davi respondeu com vontade. Então, virou os seus olhos grandes e escuros como jabuticabas para Bianca, piscando os cílios compridos: — Tio, quem é esta moça bonita? O Davi já a viu numa chamada de vídeo.
— Davi, esta moça bonita é a sua tia. — Talita o corrigiu com doçura.
Ao ver a chegada de Marcelo e Bianca, Rodrigo levantou-se e foi para o lado de Talita.
Talita estendeu a mão para Bianca:
— Bianca, eu sou a irmã do Marcelo, Talita, e este é o meu marido, Rodrigo. Queríamos muito conhecê-la oficialmente e, finalmente, tivemos a oportunidade.

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