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O Preço do Amor romance Capítulo 9

— Não enlouqueci. — Bianca observava o lago, onde alguns cisnes nadavam tranquilamente. — Ele me ofereceu condições muito vantajosas, por que eu deveria recusar?

— Mas ele é o pai do Felipe! Eu sei que não é de sangue, mas ainda é o pai dele no papel. E vocês dois... meu Deus, como é que vai ser quando vocês se encontrarem? Não vai ser um climão?

— O clima ruim vai ser pro Felipe, não pra mim. — A voz de Bianca soava calma. — De agora em diante, ele vai ter que me chamar de mãe.

Sheila caiu em silêncio novamente.

— Bianca, você só tomou essa decisão porque estava triste demais, não foi? Aquele traste do Felipe não merece que você faça uma loucura dessas... Isso é bizarro demais.

— Não foi por causa dele. — Bianca a interrompeu. — Sheila, eu sei perfeitamente o que estou fazendo. Casar com o Marcelo me dá tudo o que sempre quis: dinheiro, status, recursos. É infinitamente melhor do que qualquer cenário que eu tivesse planejado para o meu futuro.

— Mas você o ama?

— Não amo. — Bianca foi honesta. — Embora eu não entenda por que ele decidiu se casar comigo, o acordo pré-nupcial detalha todos os meus direitos depois do casamento, e estou bastante satisfeita com eles.

Sheila suspirou profundamente:

— Tudo bem, você sempre soube o que queria. Mas a reputação desse Marcelo é bem complicada. Todo mundo diz que ele é implacável e cheio de segredos. Tome muito cuidado.

— Eu sei. — Bianca lembrou-se daqueles olhos escuros e insondáveis, e seu coração deu um leve solavanco. — Mas, até agora, ele tem sido muito bom para mim.

Após desligar, Bianca foi ao banheiro se arrumar. Ao olhar no espelho e ver as marcas em seu pescoço que se recusavam a desaparecer, sentiu-se um pouco constrangida.

O celular tocou novamente. Era uma notificação no grupo da empresa.

— @Todos, hoje o departamento de design recebe uma nova colega. Vamos dar as boas-vindas.

Logo abaixo, seguiu-se uma enxurrada de mensagens dizendo "Bem-vinda".

Bianca deu apenas uma rápida olhada e bloqueou a tela. Ela se arrumou às pressas, escolheu uma blusa de tricô de gola alta que mal conseguia esconder as marcas e desceu para comer.

Prédio Majestic, no centro financeiro de São João.

A "Espaço Criativo", onde Bianca trabalhava, ficava no vigésimo terceiro andar e era um dos escritórios de design mais renomados do mercado.

Glória estava de pé ao lado do diretor, vestindo um sofisticado conjunto da Chanel, com a maquiagem impecável e um sorriso elegante no rosto.

No dedo anelar da mão esquerda, um anel de diamantes faiscava esplendidamente.

O olhar dela percorreu os colegas no escritório e parou sobre o rosto de Bianca por um instante, o sorriso se alargando ainda mais.

— Olá a todos, eu me chamo Glória. — Sua voz soou doce e suave. — Sou nova aqui e espero contar com a orientação de vocês, que têm mais experiência. Especialmente você, Bianca. Ouço dizer há muito tempo o quanto você é brilhante, e espero poder aprender muito com você.

Mencioná-la propositalmente, uma jovem com pouco tempo de mercado, diante de tantos veteranos experientes era uma manobra clara para atrair a inimizade dos demais contra Bianca. Ela nem se deu ao trabalho de retribuir o sorriso.

O sorriso no rosto de Glória endureceu ligeiramente.

O diretor indicou a mesa dela, que ficava bem na diagonal à de Bianca.

Ao longo de toda a manhã, Bianca conseguia sentir um olhar fixo sobre si de tempos em tempos.

Seis anos atrás, pouco depois de ela e Felipe terem começado a namorar, Glória retornara de surpresa do exterior e aparecera no exato restaurante onde ela e Felipe estavam jantando.

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