Neide tornou-se, de repente, o centro das atenções e dos comentários.
Como a nora mais velha da família, perder o protagonismo para a segunda nora só faria com que dissessem que Neide era incapaz.
“Senhora, chegou.” Beatriz aproximou-se carregando o filho nos braços. Ela sempre fora deslumbrante, vestida com um elegante vestido prateado, com um sorriso astuto estampado no rosto.
Neide disse em voz baixa: “Com tantos convidados, deve ter sido cansativo. Precisa de alguma ajuda?”
“Não precisa, já está quase tudo pronto, senhora. O senhor está na mesa principal, pode ir até lá.” Beatriz falou com o tom típico de quem comanda a casa, indicando o lugar de Neide.
No entanto, Neide preferiu se aproximar de uma mesa onde estavam algumas cunhadas com quem tinha mais afinidade: “Vou ficar por aqui mesmo.”
A expressão de Beatriz mudou de forma sutil.
Não sabia se era impressão dela.
Parecia que, ultimamente, Neide e Hernani estavam frios demais um com o outro.
Agora, nem sequer sentavam juntos. Será que… estavam pensando mesmo em se divorciar?
Beatriz franziu a testa. Apesar de nunca ter tido muita consideração por Neide — para ela, apenas uma workaholic, pesquisadora, que não se envolvia muito com as questões da família —, achava que Neide, por ser discreta e não disputar espaço, teria uma vida mais tranquila na família Sampaio.
Se realmente se separassem, e Hernani se casasse novamente com alguém de personalidade forte, a vida de Beatriz poderia se complicar bastante.
Beatriz precisava entender essa situação. Ela não queria que Neide e Hernani se divorciassem.
“Senhora, não é muito adequado sentar aqui, este lugar é reservado para convidados.” Beatriz, com olhos atentos, tentou persuadi-la.
Neide apenas sorriu: “Não faz mal, estou conversando com minhas cunhadas.”
Nesse momento, Hernani, alto e elegante, afastou-se da mesa principal e foi até ela.
“Venha, leve Daniel para a minha mesa.” A voz de Hernani não era alta, mas exalava autoridade.
Neide respondeu calmamente: “Prefiro ficar aqui.”
O semblante de Hernani mudou um pouco, mas ele não insistiu. Apenas se abaixou, pegou Daniel nos braços e levou-o consigo.
Vendo aquilo, Beatriz ficou ainda mais intrigada.
Aproveitou a oportunidade para puxar o marido, Evelásio, até a sala menor para uma conversa.
Evelásio estava conversando animadamente com alguns primos e não gostou de ser interrompido: “Beatriz, não pode esperar terminar o almoço?”
Beatriz imediatamente abaixou o tom de voz e falou, séria: “Meu bem, você percebeu?”
“Percebi o quê?” Evelásio parecia perdido.
“O relacionamento entre Hernani e Neide está cada vez mais frio. Antes, mesmo sem muita conversa, não ficavam tão distantes como hoje, cada um de um lado.” Beatriz, como mulher, confiava muito em sua intuição.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: O Que Me Pertence, Eu Quero de Volta