Aquela silhueta vestida de branco sequer virou a cabeça.
Beatriz já precisava se ocupar com os preparativos do jantar, e Neide sugeriu ajudar.
Beatriz, porém, segurou-a pelo braço: “Senhora, por que não vai ver se o senhor precisa de alguma coisa? Aqui não há necessidade.”
Neide ficou surpresa; Beatriz parecia diferente naquela noite.
Apesar de não poder ajudar muito, Neide levantou-se e dirigiu-se até Hernani.
No canto do olho, Hernani percebeu a figura alta de branco e contraiu o rosto.
“Vá lá fora dar uma olhada em Daniel, eu ajudo a preparar o jantar.”
Hernani achou que ela teria algo importante a dizer, mas, na verdade, era apenas para ele cuidar da criança.
“Hernani, deixa que eu vou. Fiquei sentada tempo demais, e Daniel gosta de mim.” Ariadne prontamente levantou-se.
“Não precisa de você.” Neide respondeu com voz fria: “Quem tem filho, que cuide.”
A frase de Neide não deixou espaço para interpretações; todos presentes entenderam o recado e assistiram à cena com ar de curiosidade.
Ariadne, que estava se divertindo há pouco, sentiu-se injustiçada e constrangida com a resposta de Neide.
“Hernani, então vá cuidar de Daniel.” Ariadne disse, buscando mostrar compreensão.
“Está bem!” Hernani levantou-se e saiu.
Neide também se dirigiu à cozinha para ajudar nos afazeres.
Ariadne, fingindo não se importar, voltou a jogar cartas.
Quando o jantar ficou pronto, a senhora idosa desceu acompanhada de alguns familiares mais velhos.
“Vovó, a senhora deve estar cansada, deixe-me massagear seus ombros.” Ariadne, ao avistar a matriarca, aproximou-se rapidamente.
Sem mais delongas, sentou-se atrás da senhora idosa e, com técnicas tradicionais de massagem, começou a aliviar as tensões dela.
A senhora idosa apreciou enormemente o gesto; após uma tarde inteira sentada, realmente precisava de alguém que a ajudasse a relaxar os músculos.
Ariadne demonstrava sinceridade e habilidade com as mãos, levando a idosa a compará-la imediatamente com a apática Neide.
Olhando de um lado para o outro, ficou claro que Neide não chegava nem aos pés de Ariadne.
As outras senhoras presentes logo demonstraram inveja, e Fernanda sorriu satisfeita, orientando Ariadne: “Vai lá, faça uma massagem nessas senhoras também, elas podem se tornar suas clientes no futuro.”
Ariadne, entusiasmada, foi ajudar, conquistando ainda mais simpatia.
Na cozinha, Neide ajudava a cortar frutas enquanto Beatriz coordenava tudo.
Distraída pelos pensamentos, Neide acabou cortando o dedo ao descascar uma maçã.
Ela soltou um grito de dor.
Beatriz imediatamente percebeu o que havia acontecido.
Beatriz então disse apressadamente: “Senhora, não precisa continuar, esses trabalhos pesados não são para você.”

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