Hernani sentiu pela primeira vez uma ameaça vinda do próprio filho.
O garotinho realmente defendia bem a mãe.
Neide aproveitou a oportunidade para empurrar o homem com força. O corpo alto dele vacilou e ele recuou dois passos.
“Daniel, vamos descer,” Neide disse, sentindo-se extremamente feliz ao perceber que o filho a estava protegendo.
Valia mesmo a pena ser mãe desse pequeno adorável, que era muito eficiente.
Hernani observou Neide escapando e um leve sorriso de resignação apareceu em seus lábios finos.
Parece que, dali em diante, não poderia mais agir dessa forma na frente do filho.
Caso contrário, o pequeno passaria a vê-lo como um vilão.
Neide desceu as escadas e Ariadne imediatamente se aproximou, sorrindo para cumprimentá-la: “Prima, por que não vi a senhora por aqui?”
Neide respondeu friamente: “Ela está cuidando do Henrique.”
Ariadne murmurou: “Na reunião de família de hoje, por que é a Sra. Beatriz que está cuidando de tudo? Normalmente deveria ser a esposa do irmão mais velho a responsável, não?”
O olhar de Neide ficou sombrio, percebendo que Ariadne havia escolhido o momento certo para semear discórdia.
“Isso é um assunto da família Sampaio, não precisa se preocupar, já que a senhora é de fora.” Neide não caiu na provocação. Para ela, o importante era alguém se dispor a cuidar dos afazeres, não importando quem fosse.
Ariadne não esperava que sua provocação fosse ignorada de maneira tão simples por Neide.
O rosto dela alternou entre o vermelho e o branco, e ela comentou constrangida: “Só achei injusto com a prima, já que é a esposa do primogênito.”
Neide perdeu o interesse na conversa e levou Daniel para brincar com outras crianças.
Hernani desceu do segundo andar, e Ariadne logo se aproximou dizendo: “Hernani, o ferimento da sua prima não foi grave, certo?”
Hernani respondeu com indiferença: “Foi apenas um arranhão, nada sério.”
“Hernani, sua esposa só queria ajudar, mas talvez não tenha costume com essas tarefas domésticas…” Ariadne suspirou baixinho.
“Sim!” Hernani também achava que Neide queria ajudar, mas como ela sempre passara a vida no laboratório, era natural que não tivesse experiência com serviços domésticos e acabasse cortando o dedo.
“Vou ver se posso ajudar em algo.” Ariadne disse isso e entrou na cozinha.
Naquele momento, Beatriz estava com um cardápio nas mãos, organizando o jantar, enquanto seis chefs de cozinha de alto nível preparavam as refeições com eficiência.
“Sra. Beatriz, posso ajudar em alguma coisa?” Ariadne aproximou-se e perguntou.
Beatriz lançou-lhe um olhar e respondeu, com um sorriso forçado: “Não precisa, pode esperar lá fora pelo jantar.”
“Desde pequena faço tarefas domésticas em casa, posso ajudar muito bem, se precisar, não hesite em pedir.” Ariadne queria criar um contraste.
Já que Neide era inexperiente, ela queria passar a impressão de ser uma mulher versátil, que tanto se destaca na sala quanto na cozinha.
Mas Beatriz não era ingênua, e seus olhos atentos brilharam rapidamente.
“Ah, é mesmo? Então, pode levar esse balde de lixo até o quintal lá fora? Está muito cheio e com um cheiro ruim.” Enquanto falava, Beatriz apertou o nariz com os dedos.

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