Ariadne sorriu amargamente: “Daniel era muito fofo, eu apenas... não conseguia evitar querer ser gentil com ele. Com certeza minha prima entendeu errado, achou que eu tinha outros interesses. Enfim, de agora em diante, eu tentaria ao máximo não encontrar mais Daniel.”
Esse movimento de recuar para avançar sempre fora o trunfo de Ariadne.
Hernani abaixou a voz e declarou: “Eu percebia todo o carinho que você tinha por Daniel. Era Neide que era mesquinha demais.”
“Não diga isso, a minha prima não tinha más intenções. Ela apenas amava demais essa criança.” Ariadne respondeu de forma compreensiva.
Naquele instante, uma música de dança começou a tocar inesperadamente no salão de festas.
À esquerda, havia um salão de dança luxuoso.
“Hernani, posso te convidar para dançar?” Ariadne perguntou com o rosto cheio de expectativa. “Eu sentia tanta saudade daquela dança que fazíamos juntos na época em que estudávamos no exterior.”
Hernani hesitou levemente.
Kleber, ao lado, logo incentivou: “Hernani, não acredito! É só uma dança, sua esposa não vai se importar.”
Narciso aproximou-se naquele momento e, ouvindo o comentário de Kleber, falou em tom calmo: “Uma coisa é sua esposa não se importar, outra é o que os outros pensam. Hernani, hoje não era um evento particular, é melhor tomar cuidado.”
Ao ouvir Narciso, Ariadne percebeu claramente que ele estava defendendo Neide. Seu rosto delicado corou e ela ficou aborrecida por dentro.
O que será que Neide fez para deixar Narciso tão encantado?
Antes, Narciso sempre pensava primeiro nela. Assim que voltou ao Brasil, ele passou a apoiar o lado de Neide.
Hernani tomou uma decisão racional: “Ariadne, deixe Kleber dançar com você.”
Kleber demonstrou entusiasmo e rapidamente limpou a mão na calça social, sorrindo para Ariadne: “Posso?”
Ariadne, sendo a mediadora do grupo, naturalmente jamais colocaria seus companheiros em situações desconfortáveis ou embaraçosas.
Levantou-se com gentileza e elegância, exibindo postura graciosa: “Sr. Castellani, por favor.”
Hernani permaneceu sentado no sofá, com o olhar voltado para a área de comidas próxima.
Neide estava sentada no sofá, alimentando o filho, que comia com tanto gosto que estava todo lambuzado de óleo.
Hernani levantou-se e, com passos largos, caminhou diretamente em direção a Neide.
Mariana, no entanto, o interceptou no meio do caminho.
“Mãe!” Hernani chamou. “Henrique estava melhor?”
Mariana balançou a cabeça: “Depois daquela explosão, ele não quis mais comer.”
O semblante de Hernani escureceu e ele se irritou imediatamente: “Mãe, por que Henrique ficou bravo? Não foi culpa da Neide? Por que você ainda trouxe ela para a festa?”
Mariana franziu a testa ao explicar: “Essa situação não podia ser totalmente atribuída à Neide.”
“Se não é culpa dela, é de quem?” Hernani demonstrou desagrado.
“Na minha opinião, naquele jantar de família, você não deveria ter trazido um estranho.” Mariana lançou-lhe um olhar severo. “A culpa era sua.”

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