(POV de Olivia)
Tropecei para trás, quando Ethan me soltou. Meu coração batia forte contra minhas costelas. James ainda estava no chão, e sangue escorria do canto de sua boca. Corri para a frente, colocando-me entre os dois homens. — Saia da minha frente. — Ethan ordenou, com a voz baixando para aquele tom Alfa perigoso.
Mas, eu me mantive firme no lugar, meus olhos cor de esmeralda brilhavam com determinação.
— Não. Isso termina agora.
Os olhos cor de âmbar de Ethan ficaram frios. O músculo de sua mandíbula se contraiu quando ele cerrou os dentes.
— Eu mandei você sair da frente, Olivia. — Sua voz mal passava de um sussurro, mas a ameaça era clara.
— E eu disse que não vou sair. — Plantei meus pés com firmeza, recusando-me a me mover.
Minha proteção em relação a James parecia enfurecer Ethan ainda mais. Suas narinas se dilataram quando ele inalou com violência, suas mãos poderosas se cerraram em punhos.
Sem aviso, ele me puxou para o lado, usando a força de Alfa. Eu engasguei quando seus dedos afundaram no meu braço. Eu estava certa de que deixariam hematomas.
Quando Ethan se virou para James, uma súbita rajada de vento fechou a porta do santuário de Lily. O som ecoou pela sala como um tiro, mas Ethan não pareceu notar.
Ele avançou sobre James, que se levantou, com olhos castanhos que mostravam desafio, apesar dos ferimentos.Com o empurrão forte de Ethan, perdi o equilíbrio e caí no chão, batendo com força.
— Liv! — James gritou, movendo-se para me ajudar.
Porém, Ethan o interceptou, com uma velocidade assustadora, dando um chute forte em sua canela. James caiu de joelhos, estremecendo de dor.
— Você acha que pode tocar no que é meu? — Ethan rosnou, torcendo o braço de James atrás das costas, em um ângulo não natural.
O rosto de James se contorceu em agonia, mas ele se recusou a gritar.
— Eu deveria lembrá-lo do seu lugar. — Ethan continuou, aplicando mais pressão. — Mais uma torção e seu braço quebra.
— Pare com isso! — Eu me levantei, com pânico crescendo no meu peito. — Ethan, por favor!
O aperto de Ethan se tornou mais intenso, fazendo com que James finalmente soltasse um suspiro de dor.
— Ele precisa das mãos para trabalhar. — Implorei, desesperadamente. — A oficina de motocicletas é tudo o que ele tem!
Os lábios de Ethan se curvaram em um sorriso de escárnio.
— E as mãos de Victoria? Os desenhos de cristal de cura que ela faz não importam?
A acusação pairou no espaço entre nós. Ele realmente acreditava que eu havia escaldado a mão de Victoria intencionalmente.
— Tudo bem. — Eu disse, com a voz oca de resignação. — Vou me desculpar com ela. Mas deixe James ir.
A cabeça de James se ergueu, seus olhos castanhos se arregalaram de descrença.
— Liv, não! Você não fez nada de errado!
— Cale a boca, James. — Eu disse baixinho, transmitindo com os olhos o que eu não podia dizer em voz alta. Sobrevivemos ao orfanato juntos e sabíamos quando lutar e quando ceder. Aquele era um momento para ceder.
— Ouça-a, Knight. — Disse Ethan, soltando lentamente o braço de James. — Ela sabe que estou certo.
James esfregou o ombro, seus olhos nunca deixando os meus. A comunicação tácita entre nós, desenvolvida através de anos de trauma e sobrevivência compartilhados, era algo que Ethan nunca poderia entender.
— Isso não acabou. — James murmurou, mas ele ficou abaixado.
Uma hora depois, sentei-me em silêncio no SUV de luxo de Ethan, olhando pela janela. A tensão entre nós era sufocante.
— Você deve ficar longe de Knight. — Ethan disse, quebrando o silêncio. — Esse homem é perigoso.
Quase ri da ironia. Pensando que, ao contrário dele, James nunca tinha me machucado. Nem uma vez, em todos os aqueles anos, desde que o conheci.
— Somos apenas amigos. — Eu disse baixinho. — Sobrevivemos ao orfanato juntos.
As mãos de Ethan apertaram o volante.
— Eu vi o quão perto você estava dele naquela motocicleta.
Virei-me para olhar para ele, de repente percebendo que não estávamos indo em direção ao Abrigo Médico. As árvores familiares dos Jardins Imperiais passavam do lado de fora.
Quando entramos na sala, Isabelle Stone, prima de Ethan e amiga leal de Victoria, imediatamente voltou a atenção para mim. Seu cabelo perfeitamente penteado balançava enquanto ela balançava a cabeça.
— Veja só, olha quem está aqui. — Ela disse, com desdém na voz. — A companheira ciumenta.
Eu a ignorei, concentrando-me em Victoria, que estava deitada na cama, parecendo confortável demais para alguém que supostamente sentia dor.
— Ethan garantiu o lugar de Victoria na Competição de Cristais de Cura por meio de patrocínio. — Continuou Isabelle, claramente encantada em dar a notícia. — Ela vai competir contra você mesmo assim.
Os olhos de Victoria se arregalaram dramaticamente quando ela me viu. Então, ela agarrou a mão enfaixada e a escondeu protetoramente contra o peito.
— Por que ela está aqui? — Victoria choramingou, olhando para Ethan com os olhos grandes e suplicantes que pareciam sempre causar um efeito nele.
— Ela está aqui para se desculpar. — Afirmou Ethan, com firmeza, sua mão pressionando a parte inferior das minhas costas.
Eu dei um passo à frente, com o rosto inexpressivo.
— Sinto muito pelo que aconteceu na Sala de Refrescos do Luar.
As palavras soaram frias e mecânicas. Meus olhos cor de esmeralda permaneceram duros enquanto eu olhava diretamente para Victoria.
— Mas, nós duas sabemos. — Continuei, com a voz caindo para um sussurro. — Que sua mão estava perfeitamente bem quando você estava agarrada ao meu marido, do lado de fora da Torre Lunar.
O rosto de Victoria empalideceu um pouco, antes de se recuperar, na mesma hora, lágrimas encheram seus olhos.
— Ethan, ela está me ameaçando!
Virei-me para sair. Eu já tinha dito o que precisava dizer. Mas Isabelle agarrou meu braço, e seus dedos afundaram na minha pele.
— Você acha que ainda tem alguma chance de ficar com ele? — Ela provocou, com a voz baixa. — Todo mundo sabe que Victoria é seu verdadeiro amor. E quanto àquela sua filha fraca...
Algo em mim se despedaçou com a menção de Lily e, antes que Isabelle pudesse terminar a frase, minha mão se conectou com seu rosto, em um tapa retumbante.
A força a fez tropeçar para trás, e uma marca de mão vermelha perfeita floresceu em sua bochecha pálida. A sala ficou em silêncio. Todos, até Ethan, momentaneamente atordoados pelo feroz instinto protetor de uma mãe que defendia a memória de sua filha falecida.

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